IV Tendências Conectadas nas Mídias Sociais
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- 19 de junho de 2010
- Horário: 9h00 às 16h00
- Local: Faculdade Cásper Líbero – Av. Paulista, 900 – Sala Aloísio Biondi
- Texto: Lidia Zuin
Pelo
quarto ano consecutivo, o seminário Tendências Conectadas nas Mídias Sociais é
aberto e organizado pelos jornalistas Tiago Dória e Walter Lima, sendo este último também professor e coordenador
do Grupo de Pesquisa Comunicação, Tecnologia e Cultura da Rede (TECCRED). O evento reuniu estudantes, jornalistas
e pesquisadores de São Paulo e de outros estados.
“Eu prefiro fazer o Tendências Conectadas no sábado, porque aí a gente vê quem
realmente está interessado”, comentou Lima pouco antes de finalizar a
introdução do evento. O seminário traz assuntos que envolvem não apenas o
jornalismo, mas todas as áreas da comunicação que se desenvolvem em âmbito
digital.
Para saber mais sobre a cobertura do evento e dos comentários feitos pelos participantes e espectadores, confira o twitter @tendconec.
Conteúdo |
Programa
Como o jornalismo vem lidando com o overload informativo e de dados
- 9h00 a 10h45
- Visualização de dados
- José Roberto Toledo
- Autor do blog Vox Publica, no Estadão
A primeira palestra, sob o título de “Visualização de dados”, ministrada por Toledo, apresentou
propostas de uso jornalístico para bancos de dados disponibilizados na internet
e também para aqueles que podem servir de uso pessoal (o escritor e jornalista
Gay Talese usa um banco de dados para reunir informações sobre seu casamento,
que será tema de um próximo livro a ser lançado). “Os princípios jornalísticos
não mudam no meio digital. A apuração e a checagem continuam em prática”,
indica. Acontece que conferir dados não se limita a uma busca no Google.
Segundo Toledo, cerca de 75% do conteúdo na internet não é acessível pelo
buscador – os robôs não alcançam bancos de dados, por exemplo. Foram dados como
fonte de apuração online os sites governamentais, sites watchdog e
redes sociais.
Em sites oferecidos pelo governo, pode-se encontrar dados públicos a respeito
de sua atuação: bancos de dados diferentes, ao terem seus registros cruzados,
orientam reportagens sobre diversos temas. Nos sites watchdog,
pode-se encontrar tanto um observatório de imprensa, no sentido de acompanhar a
atuação de diferentes mídias, como um observatório focado em um caso ou pessoa.
Já nas redes sociais, é possível encontrar personagens para uma matéria, medir
tendências e também aspectos pessoais, como um currículo. “As redes sociais são
uma forma de identificação de um indivíduo a partir de poucos dados”, diz
Toledo. O jornalista indica o site Pipl
como uma melhor forma de saber mais sobre uma pessoa.
A este comentário foram ligadas reflexões a respeito da privacidade na
internet. Apesar de ser levantada a questão de que todo usuário que mantém um
perfil em rede social deveria estar atento à exposição de suas informações,
Toledo indica: “A gente não tem a mínima noção da quantidade de informações
sobre nós, dos rastros que deixamos”.
- Newsgames e infográficos informativos
- Fred Di Giacomo
- Revista Superinteressante
Já na palestra “Newsgames e infográficos informativos”, Fred Di Giacomo mostrou alguns cases de newsgame como LOST,
Guia do Estudante das Galáxias, CSI e o Zona Incerta, ARG (Alternate Reality Game) do Guaraná Antártica. “Os ARGs pedem muito
engajamento. Só os mais nerds se envolvem e é um produto que demora de 2 a 3
meses para ser lançado. O mais simples que fizemos foi o CSI, que foi ao ar em
mais ou menos um mês”, revela Giacomo.
Os newsgames
são uma forma de passar informações jornalísticas a partir de um jogo, mas há
um equilíbrio entre a parte noticiosa e o entretenimento. “A questão é: ele
informa ou diverte? Se ele só informa, está muito jornalístico. Se ele só
diverte, está muito para game”, explica o jornalista. Além disso, Fred a sobre
a necessidade de se fazer um jogo para determinado assunto. “Um newsgame
precisa de argumento, de uma justificativa para existir. Depois é que se pensa
na mecânica, na interação do internauta com a plataforma. O risco do jornalismo
multimídia é a pirotecnia: é aquilo que seu chefe diz ‘que legal, isso pisca!’”
Segundo Giacomo, para terceirizar um jogo, o serviço chega a custar cerca de 30
mil reais.
Esses games são pensados para ser jogados de 15 a 20 minutos. Alguns newsgames já
chegaram a ser modificados após testes realizados por usuários, que podem ser
buscador a partir de uma comunidade de fãs. Um caso ilustrativo foi quando fãs
de LOST acharam o game fácil demais e a equipe de Giacomo precisou atualizá-lo.
São justamente interessados no assunto do game que são procurados para
experimentá-los antes do lançamento.
Da mídia impressa aos e-readers
- 11h00 a 12h45
- Mídia impressa e novas tecnologias de impressão
- Sergio Picciarelli
- Pesquisador e desenvolvedor de novos produtos da Abril
O palestrante Sérgio Picciarelli mostrou em sua fala que a mídia impressa está preparada
para enfrentar os desafios das mídias digitais. Há quase vinte anos atuando na
área de desenvolvimento de novos produtos na Editora Abril, Picciarelli trouxe
slides e folhas para comprovar que a mídia impressa ainda é a única que
consegue atingir todos os sentidos humanos. “Não estou aqui para defender a
mídia impressa, dizendo que ela é mais interativa. Cada mídia tem sua forma de
interagir com o público”, esclarece.
O toque, Picciarelli conta, não precisa ser somente instigado a partir do
contato com o papel do jornal ou da revista. Anúncios publicitários podem ser
impressos em papéis diferenciados, que podem conter tanto uma textura diferente
quanto propriedades especiais. Como um dos vários exemplos, foi contado sobre
um anunciante de carros da revista Exame que imprimiu a figura de um carro sujo
de lama. Com um lenço umedecido anexado à revista, o leitor podia “limpar” a
imagem e ter acesso às especificidades do carro.
Também podem estar anexados à página outros tipos de materiais diferentes do
papel, como um pedaço de velcro que foi usado num encarte da Audi, o qual
rendeu, em 1996, um prêmio em Cannes. “A criatividade está na mão da criação e
é importante que a equipe conheça a tecnologia para aplicá-la na mídia
impressa”, ressalta Picciarelli.
Nem tudo dá para ser traduzido em texto ou imagem. Por isso, o olfato pode ser
instigado pelas revistas a partir de brindes de cosméticos ou então páginas que
contenham aromas microencapsulado (em um encarte da cerveja Devassa, na
Playboy, a cortina que ocultava a figura de uma lata de cerveja possuía
cheiro). E a audição, a partir de chips de som, como em uma propaganda de uma
empresa área que anexou o áudio de um avião em decolagem, na revista Exame. A
Rio-Sul, companhia semelhante, a Rio-Sul, preferiu um chip sensor que ativava
luzes em led disponibilizadas na página.
Mais diferenciadas ainda foram as empreitadas da revista Caras, que enviou aos
assinantes um exemplar com encarte feito de plástico bolha. A idéia do
anunciante, no caso, a Audi, era passar ao leitor que ele em seu carro estaria
tão protegido quanto a publicação. Já a Skol chegou a congelar revistas para
demonstrar quão gelada era sua cerveja. Picciarelli faz a ressalva, durante as
perguntas, que são poucas as marcas que fazem esse tipo de anúncio
diferenciado, visto o elevado valor.
- Revistas se tornando softwares (aplicativos)
- Alexandre Maron
- Novos projetos online da Editora Globo
Alexandre Maron, diretor de projetos online da Editora Globo,
iniciou sua apresentação recomendando “A Reinvenção da Leitura”, matéria de capa da
revista Época Negócios de março deste ano, na qual se discute como a mídia
impressa tem visto e aceitado as novidades da mídia digital. Não há mudanças
apenas na maneira de comunicar, como também na forma de vender. A compra de uma
revista para um iPad fica mais barata do que impressa. “Se eu for baixar a
revista Wired no meu iPad, sai muito mais em conta que comprá-la na banca, além
de ser mais rápido, já que o produto é importado”, diz Maron.
Apesar disso, a transferência de uma revista impressa para um tablet, como o
iPad, também possui diferenças e dificuldades. Uma delas é reter a atenção do
leitor. “Mais que boas palavras e fotos, é preciso dar opções que não sejam
meros artifícios inúteis. É o produto que tem que se adaptar à audiência e não
o contrário”, explica Maron. “A revista é uma máquina. Cérebro, mão, papel. Há
regras. No Ocidente, a gente lê de um jeito diferente do Oriente. A gente
precisa juntar tudo e fazer funcionar.” Alexandre acredita que é preciso
inovar, não achar que fazer site significa necessariamente fazer blog. “Vai
repetir tudo que está fazendo no papel? É preciso se desafiar.”
Busca-se emular a revista para um meio digital sem necessariamente seguir as
mesmas mecânicas do impresso, afinal, há novas ferramentas a serem
aproveitadas: num tablet, o espaço das fotos pode ser reduzido e redirecionado
a uma galeria, assim como elas podem se tornar vídeos. Isso, no entanto, não é
motivo de desespero para achar que o digital vai esmagar o papel. “Antigamente,
música não existia fora do show. Ela era vendida em forma de pauta, no papel. A
partir do momento que se pôde gravá-la, houve um desespero por causa dos shows.
Hoje a gente voltou a perceber a importância dos shows.”
Outro ponto levantado por Maron foi sobre os e-readers e o alto preço cobrado por
eles. “Os e-readers
são produtos muito simples e não têm por que custar tão caro. Precisa ser
barato e facilitar o acesso aos livros.” Alexandre comenta que o tablet não é
algo tão novo assim, visto que em 1998, Bill Gates havia lançado o Rocket, que,
no entanto, mesmo em 2000, numa nova tentativa, não vingou. “Não era o momento
certo”, ele argumenta. Agora que tudo indica estar funcionando, Maron vê que
não há motivos para não se investir: ele conta que a Apple teve 70% de aumento
em novos clientes após o lançamento do iPad. “As pessoas admitem pagar conteúdo
para plataformas como tablet. Não é que todos queiram tudo de graça.”
As revistas não só tentam levar seu conteúdo para o meio digital como também
criam aplicativos. Maron cita o Instant Men Wing, da Men’s Health,
que dá conselhos aos leitores de como se aproximar de uma mulher, e a Vogue Knitting,
aplicativo de crochê feito pela revista Vogue. “Software é conteúdo. Muita
gente abre mão de entender tecnologia e não cria coisas legais. Tem gente
pesquisando possibilidades para o papel enquanto também deve se pesquisar os
outros meios também.”
Maron aponta que não é por conta
dos investimentos no digital que o papel se torna obsoleto. “A gente tem muito
dinheiro a se ganhar no papel ainda. Está longe de morrer o faturamento em cima
da mídia impressa.” Como exemplo disso, retomando a questão dos anúncios, Maron
diz que num site, os anúncios ficam pequenos e misturados, sobrecarregando o
visual de uma página ao mesmo tempo em que perdem seu valor de atenção. Numa
revista, o anunciante que toma duas páginas tem muito mais visibilidade.
O que faz um editor de mídias sociais
- 14h15 - 17h00
- Dia-a-dia de um editor de mídias sociais
- Rafael Sbarai
- Editor da VEJA.com e responsável pela área de mídias sociais da revista
Pouca gente sabe que Rafael Sbarai é quem toma conta do perfil da revista Veja no Twitter. Sua palestra foi iniciada com uma provocação: Sbarai confessou não saber direito como definir o conceito de mídias sociais, uma vez que ele se confunde com a idéia de redes sociais. “A palavra ‘sociais’ ficou meio banalizada, para mim.” Sua escolha foi apresentar uma citação de Walter Lima, disponível em seu blog:
- "Mídia Social é um formato estruturado por intermédio de máquinas computacionais interligadas via redes telemáticas que permite a criação, compartilhamento, comentário, avaliação, classificação, recomendação e disseminação de conteúdos digitais de relevância social de forma descentralizada, colaborativa e autônoma tecnologicamente. Tem como principal característica a participação ativa (síncrona e/ou assíncrona) da comunidade de usuários na integração de informações."
Por isso, Sbarai comenta que é preciso esquecer um pouco a plataforma, mas se
focar em seu conceito, em seu uso e aproveitamento. Um editor de mídias sociais
deve entender quais são as redes que estão realmente em voga, posto que algumas
destas se tornam precocemente destaque, como foi o caso da Foursquare,
anunciada pelo site Mashable como se fosse o novo Twitter. Não foi o caso. Além
disso, a função do editor se torna ainda mais importante pelo fato de que usar
robôs para alimentar um perfil de rede social acaba desumanizando o veículo
ainda mais, visto que a internet pode promover a aproximação entre o produtor e
o receptor. “A partir do momento que a @veja responde o usuário, ele percebe a
proximidade. É a idéia de pertencimento à rede.”
As mídias sociais, por si só, não promovem a aproximação. É preciso haver um
relacionamento. Sbarai conta que, no início, ele chegava a adicionar de volta
aqueles que passavam a seguir a Veja no Twitter. No entanto, o número de
seguidores da revista aumentou tanto que começou a ficar difícil retribuir.
Mesmo assim, o editor indica que continua atencioso com aqueles que acompanham
o perfil. “A gente perguntou no Twitter quem era fã de games e chamou para vir
até a redação testar o iPad”, conta. “A moda agora é outra. É fazer com que o
usuário saiba da proximidade com a marca.”
Apesar de administrar o twitter da Veja, Sbarai também produz conteúdo e
participa de reuniões de pauta da Veja. “Tenho reuniões de pauta com a redação
e com os seguidores do Twitter”, ele explica, dizendo que os usuários da rede
social também ajudam a pautar a revista. Uma das capas recentes da revista, por exemplo, veio
de um Trending Topic do Twitter: o “CALA BOCA GALVAO”. “O seguidor pode fazer
‘meio-a-meio’. Se ele está te seguindo, ele pode ajudar.” Sobre isso, Sbarai contou
que já chegou a receber colaboração de internauta cinco minutos após a equipe da
revista ter saído para as ruas do Rio de Janeiro, em busca de fotos das chuvas.
Mesmo assim, nem tudo que é enviado é aproveitado e é necessária uma avaliação
para que não aconteçam erros como o caso da fotomanipulação de um acidente da
TAM, publicada pelo UOL. Outra maneira de ajudar a revista é a partir de
críticas enviadas pelo Twitter. “Você precisa avaliar a situação. Precisa levar
a equipe da redação para ver e ponderar se os followers (seguidores) têm razão
em suas críticas”, afirma Sbarai.
O intuito da Veja de manter um perfil no Twitter, segundo Sbarai, não é lucrar.
“Nós visamos a participação, a presença na rede para que possamos ouvi-los [os
leitores e seguidores]”. Para ele, ouvir é a maior vantagem das redes sociais,
tendo em vista melhorias externas e internas ao veículo. Sendo assim, é
necessário haver uma presença humana por trás do computador, para absorver as
críticas e também para socializar com aqueles que se expressaram. “Somos
biologicamente programados para sermos sociais. A tecnologia só ampliou,
potencializou”, disse Sbarai, fazendo referência à pesquisadora Danah Boyd.
- Dia-a-dia de um editor de mídias sociais
- Rodrigo Martins
- Editor de mídias sociais do Estadão
Como representante do jornal O Estado de S.Paulo, Rodrigo Martins indica mudanças na forma de navegação,
aproveitando o debate sobre as funções de um editor de mídias sociais. “Hoje,
as pessoas navegam de maneira diferente. As páginas iniciais de sites de
notícias continuam sendo importantes, mas o que vale mais é o conselho dos
amigos”, afirma Martins, que verifica a partir do Google Analytics a tendência
de que os acessos ao portal do Estadão vêm de referências de amigos, por exemplo, tweets
com links de redirecionamento.
Martins lembra quando o Estadão possuía apenas dois perfis no Twitter, sendo um para
o caderno de tecnologia, o Link. Hoje são vinte e quatro. “É insustentável
jogar conteúdos automáticos. É a mesma coisa que pôr no jornal o mesmo material
recebido das agências”, diz Rodrigo ao reafirmar a necessidade de alguém para
gerenciar os perfis em redes sociais. No caso do @estadao, o perfil
se limita a assuntos administrativos e a coberturas de eventos, sendo que
nestas é possível que os seguidores mandem perguntas. Já no Facebook, discussões
são incentivadas.
Para ilustrar a força e o potencial das redes sociais, Martins relembra o
apagão de 2009, e a primeira fonte de notícia foi, justamente, o Twitter.
“O @estadao tuitou que São Paulo estava sem luz e alguém avisou que a Bahia
também.” Sem nenhuma agência de notícias para confirmar o fato, o Estadão fez
uma matéria baseada nas redes sociais. Foram também contatados
cerca de 500 usuários do Twitter para fazer uma galeria de fotos especial.
Sobre a aproximação com os leitores, Martins cita uma matéria de retrospectiva
que o jornal fez. Mesmo com chamada na página inicial, a proposta não estava
funcionando, uma vez que a votação divulgada para reduzir 60 categorias a serem
listadas para 30, não estava recebendo muita atenção. “A gente foi atrás de
usuários, em grupos, fã clubes da internet. E deu certo”, conta Rodrigo que, em
seguida, explica que o contato com os leitores não é algo tão novo assim, a
diferença é que antes a mediação era feita por cartas e, por isso, não havia
tanta manifestação. “Enquanto 1% escreve para o jornal, 20% escreve na internet”,
conclui.
- Conflito entre uso de mídias sociais nos portais e leis brasileiras
- Ana Brambilla
- Editora de mídias sociais do portal Terra
A jornalista Ana Brambilla discutiu os “Formatos de conteúdo
para mídias sociais e relacionamento com o público”. Como editora de mídias
sociais do Terra Networks, ela reforça o que já havia sido comentado por Sbarai, da
revista Veja: “Twitter é relacionamento, não só informar, mas também responder
e propagar. Nas redações isso não é tão óbvio.”
Sobre isso, ela dá exemplos de como aproveitar a rede social: a NBC criou o Olympic Pulse, site que reúne tweets dos atletas que participam das
Olimpíadas de Inverno de Vancouver. “Poderíamos fazer isso agora, com as
eleições brasileiras. Mas não só os candidatos podem falar, eu, como editora,
também posso interferir nesse debate”, sugere Ana.
O Twitter traz pautas para o Terra também, conta Ana, dando exemplo de quando a
candidata à presidência Marina Silva respondeu a um comentário adicionado ao seu perfil. Mais que
uma ajuda, tweets podem também ser perigosos, uma vez que podem partir de
perfis falsos. “Por exemplo, ninguém sabe se o perfil do jogador de futebol
Ganso, no Twitter, é fake ou não”, diz ela.
Mas então, pouco depois, Ana questiona o papel de um editor de mídia social:
“Por que uma pessoa estudou durante quatro anos se é para fazer o que o TweetFeed faz?” No
entanto, a editora indica que tuitar não é simples, precisa de criatividade e,
tal qual Sbarai e Martins, é importante “humanizar” o twitter da empresa.
“Existe dificuldade. Reunir followers é um trabalho a longo prazo, um trabalho
de conquista. Além disso, as hashtags devem ser muito bem pensadas, bem
utilizadas. Elas podem melhor posicionar seu tweet”, explica. Para ilustrar,
Ana diz que é muito mais curioso um tweet que instiga a pessoa a clicar no link
do que um comentário que já resume a notícia. “O que chamaria mais sua atenção,
‘Daniela Mercury sobe em trio e ataca de DJ em Salvador’ ou ‘Olha o que Daniela
Mercury aprontou’?” Ainda, Ana a para que um tweet não una uma pergunta a uma
afirmação, visto que isso pode confundir os leitores.
Em contrapartida aos outros palestrantes, Ana mostra-se fiel e confiante quanto
o Orkut. “É uma batalha minha. Acredito muito no potencial do Orkut. Eu sei que
vai ter bobagem, pornografia e gangues marcando brigas. O que se vai fazer? Tem
que filtrar, fazer parte do bando e saber”. Como exemplo de perfil
institucional no Orkut, Ana mostrou o do Ministério da Saúde, que colocou robôs que procuram usuários
que falam sobre HIV, mandando automaticamente dicas para eles. Ana faz apenas
uma crítica: o logo e o formato de perfil corporativo desumanizam a proposta.
“Redes sociais são essencialmente humanos. Prefira manter perfis com identidade
própria: além do caráter humano, isso protege o veículo e suas opiniões em
relação a eles, apesar de nem sempre ser interessante para a empresa ligar seu
nome ao de um funcionário”, indica.
Esses perfis são chamados pró. Ana mostra seu próprio perfil no Orkut e de
outras colegas de trabalho, que vão em comunidades para perguntar, por exemplo,
o que as pessoas querem que seja questionado em uma entrevista com determinada
pessoa, ou então divulgar alguma matéria publicada no Terra. “É óbvio que não
podemos ter a mesma abordagem todas as vezes. Aliás, temos que tomar cuidado
para não soar forçado”.
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