PROJETO DE PESQUISA PARA FAPESP - versão beta - ago 2007
Origem: WikiPos, a enciclopédia livre.
Grupo de Pesquisa de Comunicação, Tecnologia e Cultura de Rede
Faculdade Cásper Líbero
Comunicação
Visão Geral do Projeto:
INTRODUÇÃO
O Grupo de Pesquisa de Comunicação, Tecnologia e Cultura de Rede da Pós-Graduação da Faculdade Cásper Líbero integra a linha de pesquisa denominada Processos Midiáticos: Tecnologia e Mercado. Esta linha visa estudar as relações entre as velhas e as novas mídias, entre a tecnologia e os mercados, focalizando as diversas dimensões políticas e tecnológicas na comunicação, os novos contextos de cidadania, de propriedade das idéias, de mecanismos de produção colaborativa que dela emergem, bem como o controle, a produção e a distribuição de conteúdos informativos e de entretenimento. Os processos midiáticos contemporâneos estão sendo reconfigurados de forma intensa sob a influência das novas tecnologias, de sua convergência crescente, digitalização intensiva dos conteúdos, da hegemonia de lógicas mercantis e globalizantes. Nesse contexto, o Grupo de pesquisa busca objetos de análise tais como o fenômeno das redes, o universo dos games, do cinema e da TV Digital, do software como mídia, da governança da Internet, da exclusão digital, das comunidades virtuais, da política na rede, entre outros.
As redes informacionais têm sido cada vez mais estudadas por diversas ciências. Seu fenômenos é tão intenso e academicamente relevante que tem motivado muitos debates sobre a necessidade da constituição de uma nova área do conhecimento, chamada de ciência da rede1 (web science). É possível considerar a rede das redes, a Internet, como o símbolo da era informacional. O impacto das tecnologias de rede ultrapassa o interesse das ciências da natureza. O sociólogo Manuel Castells qualificou de sociedade em rede essa nova fase do capitalismo contemporâneo. O pesquisador Yochai Benkler alertou-nos que as redes estão viabilizando uma nova forma de produção baseada na colaboração e no compartilhamento. As redes estruturam a comunicação mediada por computador e são o território de onde emerge a cibercultura.
Este projeto de pesquisa pretende aprofundar o estudo das redes, especialmente das redes de conexão aberta e sem fio, a partir do campo teórico das comunicações. É importante ressaltar que a digitalização intensa da produção simbólica, a expansão das redes informacionais, a consolidação da cibercultura, acabou abrindo um terreno favorável a intensa comunicação e interatividade, que culminou com o processo de convergência digital. Tais fenômenos, aceleraram o desaparecimento das fronteiras rigidamente delimitadas entre as telecomunicações, comunicação de massa e informática. Venício A. de Lima considera que revolução digital esvaziará o tratamento dessas três áreas como cenários distintos:
“Os modelos teóricos dominantes no campo de estudo da comunicação antes da revolução digital sempre insistiram em deixar de fora as questões ligadas às telecomunicações, área entregue prioritariamente a engenheiros e economistas. Este fato histórico é paradoxal se considerarmos que os próprios cursos de graduação em Comunicação Social foram estruturados em torno de distinções baseadas em tecnologias 'mediadoras' da comunicação e incluem, naturalmente as telecomunicações. É o caso da radiodifusão, isto é, do rádio e da televisão.” (LIMA, 2001, p. 29)
O protocolo 802.11b, do IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers) é um documento que diz como deve ser a transmissão de informações usando as ondas radielétricas. Uma das definições do protocolo é que os transmissores de Wi-Fi (wireless fidelity), hoje amplamente utilizados, deveriam utilizar a frequência 2,4 Ghz que estava aberta. Isto permitiu que explodisse o uso da conexão wireless ou sem fio. Aeroportos, cafés, supermercados, livrarias e bares passaram a fornecer acesso à Internet a partir dos hotspots, zona de cobertura ou espaço onde o sinal de rádio conseguia conectar os computadores e palms. No hotspot é instalado uma antena ligada a um roteador que em geral está conectado com uma rede de banda larga. Esta antena é o centro do access point ou ponto de acesso. O alcance do Wi-Fi é pequeno, aproximadamente 50 metros a depender da antena utilizada, mas permite conectar diversos computadores simultaneamente.
Cada vez mais vários dispositivos são compatíveis com o Wi-Fi, tais como os PDAs e os telefones celulares. Muitas pessoas em casa possuem roteadores de wireless, permitindo que elas acessem a internet de qualquer lugar da casa. Este avanço da comunicação sem fio, principalmente usando as faixas não-regulamentadas do espectro entre 2.4 e 5 Ghz, permitiu a formação de comunidades de compartilhamento de conexão. Milhares de pessoas estão utilizando seus roteadores para irradiar os sinais de rádio para formar uma grande nuvem de conexão. Comunidades de conectividade aberta e outras mais restritas estão surgindo e proliferando-se por todo o planeta.
Uma dessas comunidades é a dos foneros. Criada na Espanha em 2005, pelo empresário Martín Varsavsky, a empresa FON quer formar uma comunidade Wi-Fi em todo o mundo. Os foneros compartilham seu sinal de wireless com os demais membros da comunidade. Quanto mais pessoas de uma cidade integrarem a comunidade fonera, mais o sinal de Wi-Fi vai se expandido até cobrir toda a região. Assim, um fonero poderá acessar a rede de qualquer área. La Fonera nada mais é que um roteador que segue os padrões 802.11b e 802.11g, parecido com o Linksys, muito usado no Brasil. Ele joga o sinal de banda larga, obtido pelo cabo que chega até as residências, no ar. Assim as residência converte-se em um Ponto de Acesso Wi-Fi.
La Fonera é um roteador social que viabiliza a conexão compartilhada de acesso a rede. Os membros da comunidade acabam podendo usar seus laptops de todo lugar, desfrutando dos pontos de acesso dos demais foneros. La Fonera permite que a página de entrada naquele ponto de acesso seja personalizada. Além disso, cada ponto de acesso é indicado no mapa do site da comunidade. Esta é apenas uma das centenas de comunidades de conectividade e cooperativas de conexão que estão proliferando em todo planeta e que certamente irão participar dos processos de convergência digital.
Assim, neste projeto pretendemos estudar as redes abertas de conexão, as práticas colaborativas na infra-estrutura, as arquiteturas em malha e ad hoc, além disso, buscamos encontrar indicadores, cientificamente válidos, para analisar sua organização, desenvolvimento, uso e impactos sociais, na perspectiva do campo comunicacional. Consideramos que estudos de campo são indispensáveis nesse cenário de convergência digital, em um país de profundos contrastes, grande desigualdade de acesso às redes e às tecnologias, ao mesmo tempo, marcante por sua intensa criatividade e participação.
OBJETIVOS PRINCIPAIS
O objetivo principal deste projeto de pesquisa é estudar as redes de conexão abertas, focalizando principalmente as redes sem fio (wireless) ad hoc, a partir da perspectiva comunicacional, ou seja, utilizando o instrumental do campo teórico das Comunicação. São também objetivos relacionados e decorrentes:
1 pesquisar os elementos fundamentais da conectividade compartilhada em um ambiente de convergência digital;
2 estudar interfaces comunicacionais e seus impactos nos portais de integração com comunidades móveis;
3 analisar as novas formas de sociabilidade no interior e a partir das redes de conexão ad hoc;
4 avaliar as possibilidades da multimídia nas redes de comunicação wireless abertas e compartilhadas;
5 descrever e mapear as redes abertas, públicas, ad hoc e mesh no país;
6 Para atender o objetivo principal, a pesquisa contará com uma fase experimental que visará a formação de uma nuvem de conexão à Internet, aberta, utilizando a arquitetura ad hoc, na Av Paulista, em São Paulo, onde encontra-se grande massa de computadores e equipamentos de comunicação móveis, ao redor da Faculdade Cásper Líbero.
DEMAIS OBJETIVOS
Desenvolvimento de materiais didáticos utilizando recursos multimídia;
Pesquisa bibliográfica sobre o tema;
Disponibilização do material na internet em um wiki específico;
Criação de um grupo de apoio para o desenvolvimento do material;
Registro e documentação de todas as reuniões e seminários;
Divulgação dos resultados através de seminários, dissertações de mestrado e teses de doutorado e publicação de artigos em congressos e revistas;
Utilização dos materiais desenvolvidos em aulas expositivas;
Criação de canais de comunicação entre alunos e professores via e-mail, newsgroups e chats;
Acúmulo de material preparatório para a criação de cursos à distância.
DESCRIÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA
Para estudar as redes de conexão abertas, principalmente as redes sem fio (wireless) ad hoc, na perspectiva comunicacional, o Projeto foi organizado em 4 fases, cada uma com seis meses de pesquisa. A definição de rede ad hoc aqui utilizada é a das redes sem fio que não possuem “topologia predeterminada, e nem controle centralizado. Redes ad hoc não requerem uma infra-estrutura tal como backbone, ou pontos de acesso configurados antecipadamente. Os nós ou nodos numa rede ad hoc se comunicam sem conexão física entre eles criando uma rede “on the fly”, na qual alguns dos dispositivos da rede fazem parte da rede de fato apenas durante a duração da sessão de comunicação, ou, no caso de dispositivos móveis ou portáteis, por enquanto que estão a uma certa proximidade do restante da rede.”2
Na primeira fase será realizado um levantamento e mapeamento do conjunto de redes de conexão sem fio de acesso público, fechadas e abertas, comerciais ou estatais, colaborativas ou não. O objetivo desta fase é construir uma tipologia das redes de conexão a partir de suas características essenciais e distintas. Também serão construídas as hipóteses principais das observações e análises posteriores.
Na segunda fase, serão pesquisadas “in loco” as principais redes de acesso wireless com a finalidade de: a) comparar os impactos sócio-culturais das configurações técnicas de cada rede;
b) analisar as formas de uso, apropriação e reconfiguração das práticas comunicacionais pelas comunidades de usuários, buscando identificar os fatores determinantes ou condicionantes das diferenças encontradas;
c) avaliar o sucesso das hipóteses baseadas nos referenciais teóricos redefinidos ainda na primeira fase.
Ainda na segunda fase, será iniciada a formação de uma rede ad hoc, nos arredores da Faculdade Cásper Líbero, como projeto experimental visando: pesquisar os elementos fundamentais da conectividade compartilhada em um ambiente de convergência digital; estudar interfaces comunicacionais e seus impactos nos portais de integração com comunidades móveis.
A formação desta rede wireless aberta em uma das áreas de maior concentração computacional (Av. Paulista) permitirá avaliar sua implantação e expansão em uma região de múltiplas intersecções sociais, diversas classes sociais, variada concentração comercial e residencial, em um território urbano de passagem de milhares de paulistanos. As possibilidades de expansão nessa região permitem isolar os fatores infra-estruturais impeditivos que estão presentes nas áreas periféricas. A grande quantidade de computadores e celulares conformam a massa crítica necessária para a avaliação do experimento do ponto de vista comunicacional e sócio-cultural.
Na terceira fase, serão analisadas os usos da rede ad hoc aberta, os processos de reconfiguração comunicacionais e sociais, sua expansão geográfica, as práticas de compartilhamento da conectividade, as interfaces e sites para as comunidades de convergência digital em torno da rede.
Na quarta fase, cada hipótese construída na primeira fase será confirmada ou alterada conforme a análise de sua aplicação nas demais fases. Além disso, as interfaces e aplicações criadas no contexto da pesquisa serão avaliadas sob o ponto de vista de sua interatividade, atratividade, usabilidade, interoperabilidade e eficiência comunicacional.
DESCRIÇÃO DA FASE UM
As ações da primeira fase são:
1.1 o mapeamento do conjunto de redes de conexão de acesso público, wireless, ad hoc e mesh, comerciais ou estatais, colaborativas ou não, existentes no país;
1.2 a construção da tipologia das redes de conexão wireless, a partir de suas características essenciais e distintas, ressaltando os elementos que permitam definir os graus de convergência com o universo da mobilidade e com outras midias;
1.3 a definição dos referenciais teóricos e das hipóteses a serem aplicadas na pesquisa;
1.4 o levantamento das interfaces, repositórios e portais utilizados nas redes wireless de acesso público.
DESCRIÇÃO DA FASE DOIS
Na segunda fase serão realizadas as seguintes atividades:
2.1 a pesquisa de campo realizada em 4 cidades, representativas de tipos distintos de redes wireless públicas, para registrar e analisar o impacto das redes wireless no cotidiano sócio-comunicacional dos segmentos da população;
2.2 a comparação dos impactos sócio-culturais originadas das decisões técnicas e do tipo de arquitetura adotada;
2.3 a análise das formas de uso, apropriação e de reconfiguração das práticas comunicacionais adotadas pelas comunidades de usuários;
2.4 a identificação dos fatores determinantes ou condicionantes das diferenças encontradas nas 4 pesquisas de campo;
2.5 a implementação das hipóteses construídas na primeira fase, principalmente na formulação da estratégia da pesquisa de campo;
2.6 a definição técnica da rede experimental ad hoc da Avenida Paulista com uma equipe multidisciplinar composta de pesquisadores das ciências da comunicação, ciências sociais e ciências da computação e das telecomunicações;
2.7 a organização do comitê gestor da rede experimental wireless ad hoc da Avenida Paulista, composto por associações da sociedade civil, empresas, instituições de ensino e pessoa físicas da região que queiram participar da rede;
2.8 o registro escrito e audio-visual de todo o processo de construção da rede;
2.9 a publicação desses registros na ferramenta wiki da pesquisa, a ser disponibilizada na web;
2.10 a aplicação da hipótese dos elementos fundamentais para a formação de uma rede de conectividade compartilhada em um ambiente de convergência digital;
2.11 o início dos testes das interfaces comunicacionais construídas a partir das hipóteses formuladas na primeira fase.
DESCRIÇÃO DA FASE TRÊS
Na terceira fase, a pesquisa contará com:
3.1 o registro dos diversos usos comunicacionais e sociais da rede ad hoc experimental;
3.2 a análise das práticas de reconfiguração de uso;
3.3 a observação das impactos sócio-culturais na região atingida pela rede;
3.4 a análise dos fatores favoráveis e impeditivos da conectividade colaborativa em redes ad hoc;
3.5 a confecção e testes de um portal de acesso à rede experimental ad hoc, com interfaces, interatividade e arquitetura de informação, voltado para a convergência entre computadores, laptops e telefones celulares;
3.6 a análise das práticas comunitárias formadas a partir e no interior da rede experimental;
3.7 a primeira avaliação sobre a expansão da rede ad hoc para além da área inicial, a partir das hipóteses construídas na primeira fase da pesquisa.
DESCRIÇÃO DA FASE QUATRO
As atividades da pesquisa na quarta fase são:
4.1 a avaliação das possibilidades do uso de aplicações multimídia nas redes de comunicação wireless aberta e compartilhada;
4.2 a avaliação final das interfaces comunicacionais e do portal com interface para acesso múltiplo: computadores e celulares;
4.3 a compilação e análise multidisciplinar da aplicação do conjunto de hipóteses formuladas na primeira fase;
4.4 a realização de um seminário para a divulgação dos resultados da pesquisa;
4.5 a publicação na Revista Líbero de quatro artigos: sobre as práticas comunitárias e colaborativas em redes ad hoc; sobre os impactos e formas de sociabilidade no interior e a partir das redes de conexão ad hoc; interfaces para convergência digital; e a multimídia em redes wireless ad hoc;
4.6 a postagem na web, no site da Pós-Graduação da Cásper Líbero, dos relatórios completos da pesquisa;
4.7 a produção de um vídeo do registro da montagem e expansão da rede experimental ad hoc da Avenida Paulista.
METODOLOGIA E TÉCNICAS DE PESQUISA
A pesquisa utilizará diversas metodologias qualitativas, conforme cada fase da pesquisa. O método da observação participante será utilizado na análise da formação e expansão da rede experimental. Além disso, as pesquisas qualitativas já consolidada em estudos antropológicos, comunicacionais e sociológicos, baseada principalmente em entrevistas com questionários e entrevistas de profundidade, serão utilizadas em cada fase da pesquisa.
O método estará principalmente referenciado nos estudos de recepção e na pragmática, adequados às especificidades da comunicação mediada por computador, bem como, na observação das comunidades virtuais, dos relacionamentos on-line e da fusão com a mobilidade de usuários de aparelhos móveis de comunicação com a Internet.
Para acompanhar a evolução de uso e dos impactos da rede, na segunda fase, o grupo de pesquisadores irá realizar incursões de campo, durante sete dias. Moradores, usuários e não usuaŕios das redes serão entrevistados, visando o estabelecimento de comparações sobre práticas comunicacionais, interatividade, apropriação tecnológica, aprendizado, impactos sócio-econômicos da comunicação em rede.
REFERÊNCIAS TEÓRICAS INICIAIS
A pesquisa parte da perspectiva sociotécnicas sumarizada por R. Kling e defendida também pelo pesquisador Mark Warschauer. Tal perspectiva tem como pressuposto os elementos já constatados pelo sociólogo Manuel Castell e consideram a reconfiguração tecnológica por parte dos usuários das redes o elemento decisivo para a compreensão de sua expansão, fracasso ou sucesso. Os principais componentes da perspectiva sociotécnica são:
- A Tecnologias da Informação e Comunicação é uma rede sociotécnica.
- Exige uma abordagem ecossistêmica, uma visão ecológica.
- As implantações da TIC são um processo social contínuo.
- Os estímulos podem requerer reestruturação (e podem estar em conflito).
- Os relacionamentos são complexos, negociados, polivalentes (incluindo confiança).
- Buscar as grandes repercussões sociais a partir da TIC (não apenas qualidade de vida do trabalho, mas qualidade total de vida).
- Os contextos são complexos (por exemplo, matrizes de negócios, serviços, pessoas, tecnologia, história, localização).
- Tentar captar novas habilidades e conhecimentos nascidos dos processos de apropriação e reconfiguração social da tecnologia, quais as habilidades e iniciativas adicionais foram necessárias para a incorporação das tecnologias sem fio no cotidiano social.
Além disso, o processo atual de convergência digital apresenta um conjunto de novos desafios teóricos para compreender o fenômeno comunicacional, uma vez que partimos do pressuposto que a a convergência é um processo social, intersubjetivo, e ocorre dentro das mentes dos consumidores individuais e através de suas interações sociais com os outros, como apontam os estudos de Henry Jenkins. Portanto, nossa perspectiva teórica básica considera que a tecnologia não é neutra em relação a sociedade e a sua esfera pública. Não é a tecnologia que determina a sociedade, mas as invenções e inovações tecnológicas criadas por e para determinados segmentos sociais acabam envolvendo e condicionando o conjunto das práticas sociais. Nesse sentido, a pesquisa considera importante os pressupostos de Yochai Benkler:
“For decades our understanding of economic production has been that individuals order their productive activities in one of two ways: either as employees in firms, following the directions of managers, or as individuals in markets, following price signals.” (...) “In the past three or four years, public attention has focused on a fifteen-year-old social-economic phenomenon in the software development world.” (...) “I suggest that we are seeing is the broad and deep emergence of a new, third mode of production in the digitally networked environment. I call this mode "commons-based peer-production," to distinguish it from the property- and contract-based models of firms and markets. Its central characteristic is that groups of individuals successfully collaborate on large-scale projects following a diverse cluster of motivational drives and social signals, rather than either market prices or managerial commands.” (BENKLER, 2002)
Benkler não parte da perspectiva da divisão da sociedade em classes sociais. Suas categorias são as mesmas usadas pelos economistas institucionalistas. A evolução de sua argumentação não requer a denúncia do mecanismo do mercado e de seus processos de exclusão integradora. Suas categorias são firmas, sinais de mercado, indivíduos consumidores e que perseguem os sinais da flutuação dos preços, no cenário de confronto dos interesses distintos da oferta e da demanda. Para o pensador norte-americano a liberdade de participação nas redes, a livre iniciativa, diante de um leque extremamente variado de interesses, levam os indivíduos a organizarem projetos colaborativos em que seus participantes não são firmas, nem indivíduos que perseguem sinais de mercado, mas sujeitos que criam importantes produções colaborativas de grande alcance social.
Na busca da compreensão maior do fenômeno dos commons, Benkler foi aprofundando seus estudos, seguindo a expansão da sua presença nas redes informacionais. Em 2006, publicou o livro The Wealth of Networks: how social production transforms marets and freedom. Logo na abertura do primeiro capítulo, ele deixa evidente o traçado de suas idéias e os seus objetivos teóricos:
Information, knowledge, and culture are central to human freedom and human development. How they are produced and exchanged in our society critically affects the way we see the state of the world as it is and might be; who decides these questions; and how we, as societies and polities, come to understand what can and ought to be done. For more than 150 years, modern complex democracies have depended in large measure on an industrial information economy for these basic functions. In the past decade and a half, we have begun to see a radical change in the organization of information production. Enabled by technological change, we are beginning to see a series of economic, social, and cultural adaptations that make possible a radical transformation of how we make the information environment we occupy as autonomous individuals, citizens, and members of cultural and social groups. It seems passe today to speak of “the Internet revolution.” In some academic circles, it is positively naıve. But it should not be. The hange brought about by the networked information environment is deep. It is structural. It goes to the very foundations of how liberal markets and liberal democracies have coevolved for almost two centuries. (BENKLER, 2006)
O que chama de 'revolução da Internet' é o que permitiu a construção de uma rede de troca de informações digitais, descentrada, sem os controles rígidos dos meios de comunicação de massa, baseada na interatividade. Neste ambiente digital, Benkler vê um ecossistema e uma ecologia institucional que é fruto de uma batalha entre a liberdade de criação e os grandes grupos que controlaram até então a produção da cultura e os principais meios de comunicação. Para Benkler, a rede mundial de computadores permitiu emergir a produção social ou colaborativa entre pares, que conta com indivíduos livres. A liberdade é a base da colaboração. Se na sociedade industrial, a liberdade serviu principalmente a ampliação dos mercados, na era da Internet, a liberdade está servindo para a expansão dos commons e do seu sucesso dependerá o futuro da criatividade e da própria liberdade humana.
PERÍODO DE DURAÇÃO: 4 SEMESTRES
PRODUTOS DA PESQUISA
A pesquisa terá como produtos: Relatórios;
Artigos;
Seminários de divulgação;
Portal da pesquisa;
Laboratório multimídia para convergência digital;
Rede ad hoc aberta.
EQUIPE E RECURSOS PARA CADA FASE DA PESQUISA
FASE UM
EQUIPE
1 Prof Dr coordenador do Estudo das práticas comunitárias e colaborativas da cultura da rede; http://www.fapesp.br/materia.php?data[id_materia]=1516
1 Prof Dr coordenador do Estudo das Interfaces e aplicações multimídia;
1 Prof Dr coordenador da Estudo sobre impactos socio-culturais das redes abertas;
3 Pesquisadores-mestrandos;
3 Pesquisadores iniciação científica. [[id_materia=2889]]
RECURSOS 6 computadores para uso coletivo dos pesquisadores 2 bancadas 3 mesas de escritório 9 cadeiras
FASE DOIS
EQUIPE
1 Prof Dr coordenador do Estudo das práticas comunitárias e colaborativas da cultura da rede;
1 Prof Dr coordenador do Estudo das Interfaces e aplicações multimídia;
1 Prof Dr coordenador da Estudo sobre impactos socio-culturais das redes abertas;
1 consultor para projetar e acompanhar a montagem da rede ad hoc 1 técnico de rede;
2 bolsistas mestrandos de ciências da computação;
6 bolsistas mestrandos de comunicação;
8 bolsistas de iniciação científica de comunicação.
RECURSOS 4 servidores 6 computadores laptop 100 roteadores linksys 10 celulares multimídia filmadora 4 máquinas fotográficas digitais
-Estimar o custo de viagem para 4 cidades no Brasil passagens (ver o custo de passagem áerea para Belém, ida e volta, como parâmetro) diárias e hospedagem para 10 dias 3 pessoas por cidade
-Custo de link de 2 Gb para ser distribuído pela rede experimental (6 meses)
FASE TRÊS
EQUIPE
1 Prof Dr coordenador do Estudo das práticas comunitárias e colaborativas da cultura da rede;
1 Prof Dr coordenador do Estudo das Interfaces e aplicações multimídia;
1 Prof Dr coordenador da Estudo sobre impactos socio-culturais das redes abertas;
1 consultor para projetar e acompanhar a montagem da rede ad hoc;
1 técnico de rede;
3 bolsistas mestrandos de ciências da computação;
6 bolsistas mestrandos de comunicação;
6 bolsistas de iniciação científica de comunicação.
RECURSOS
-Custo de link de 2 Gb para ser distribuído pela rede experimental (6 meses);
-Reposição de rotedores (estimativa de 20%) 20 linksys;
-Laboratório para produção e testes multimídia para convergência e mobilidade: 8 computadores, switch.
FASE QUATRO
EQUIPE
1 Prof Dr coordenador do Estudo das práticas comunitárias e colaborativas da cultura da rede;
1 Prof Dr coordenador do Estudo das Interfaces e aplicações multimídia;
1 Prof Dr coordenador da Estudo sobre impactos socio-culturais das redes abertas;
1 consultor para projetar e acompanhar a montagem da rede ad hoc;
1 técnico de rede;
3 bolsistas mestrandos de ciências da computação;
6 bolsistas mestrandos de comunicação;
6 bolsistas de iniciação científica de comunicação.
RECURSOS -Custo de link de 2 Gb para ser distribuído pela rede experimental (6 meses);
-Reposição de rotedores (estimativa de 20%) 20 linksys;
-Custo de um seminário (2 dias) com passagens pagas, diárias e cachê para 8 pesquisadores de outros Estados do Brasil, material de divulgação, etc.
-Custo de edição do vídeo de 1 hora.
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WOODHEAD, Nigel. Hypertext & Hipermedia, Theory and Applications. New York: Sigma Press & Addison-Wesley Publishing Co., 1991.
SITES
REDES E ASSOCIAÇÕES
Digital Home Working Group
Enterprise Wireless Assn. (EWA, merger of ITA and AMTA) --license holders
FreeNetworks
IDB Forum (automotive version of IEEE-1394)
IEEE Communications Society
IEEE Vehicular Technology Society
International Foundation for Telemetering
Mobitex Operators Association (MOA)
Multiband OFDM Alliance
Near Field Communication Forum (NFC)
Open Mobile Alliance seeking open standards and interoperability
Personal Radio Steering Group --users of licensed spectrum
Private Wireless Forum
Radio Club of America
Radio Technical Commission for Aeronautics (RTCA)
Rede Nacional de Pesquisa www.rnp.br
SMS Forum
Software-Defined Radio Forum
TETRA MoU (European trunking standard)
Uniform Code Council --bar codes, RFID standards
UMTS Forum
UMTS World (WCDMA)
United Telecom Council --Utilities community
USB Implementers' Forum (Universal Serial Bus)
USENIX (Advanced Computing System Association)
WiMAX Forum to promote wireless broadband access
WiMedia Alliance --high speed personal area networks
Wireless Anarchy project --free wireless Internet access
Wireless Communications Association International (WCA) -- wireless broadband
Wireless Ready Alliance (CDPD)
Wireless Strategic Initiative—3G
Wireless World Research Forum—4G
