PROJETO DE PESQUISA PARA FAPESP - versão beta 2 - set 2007
Origem: WikiPos, a enciclopédia livre.
Grupo de Pesquisa de Comunicação, Tecnologia e Cultura de Rede
Faculdade Cásper Líbero
Comunicação
Visão Geral do Projeto:
INTRODUÇÃO
O Grupo de Pesquisa de Comunicação, Tecnologia e Cultura de Rede da Pós-Graduação da Faculdade Cásper Líbero integra a linha de pesquisa denominada Processos Midiáticos: Tecnologia e Mercado. Esta linha visa estudar as relações entre as velhas e as novas mídias; entre a tecnologia e os mercados, focalizando as diversas dimensões sociais, políticas e tecnológicas na comunicação; os novos contextos de cidadania, de propriedade das idéias, de mecanismos de produção, usos e apropriações colaborativas que dela emergem; bem como o controle, a produção e a distribuição de conteúdos informativos e de entretenimento. Os processos midiáticos contemporâneos estão sendo reconfigurados de forma intensa sob a influência das novas tecnologias, de sua convergência crescente, digitalização intensiva dos conteúdos, da hegemonia de lógicas mercantis e globalizantes e de novas práticas sociais. Nesse contexto, o Grupo de pesquisa configura, pesquisa e analisa objetos de estudos tais como o fenômeno das redes, o universo dos games, do cinema e da TV Digital, do software como mídia, da governança da Internet, da exclusão digital, das comunidades virtuais, da política na rede, entre outros. As redes informacionais têm sido cada vez mais estudadas por diversas ciências. Esse fenômeno é tão intenso e academicamente relevante que tem motivado muitos debates sobre a necessidade da constituição de uma nova área do conhecimento, chamada de ciência da rede1 (web science). É possível considerar a rede das redes, a Internet, como o símbolo da era informacional. O impacto das tecnologias de rede ultrapassa o interesse das ciências da natureza. O sociólogo Manuel Castells qualificou de sociedade em rede essa nova fase do capitalismo contemporâneo. O pesquisador Yochai Benkler alertou-nos que as redes estão viabilizando uma nova forma de produção baseada na colaboração e no compartilhamento. As redes estruturam a comunicação mediada por computador e são o território de onde emerge a cibercultura. O que os estudos sobre a Rede devem destacar é que não estamos observando o “desenvolvimento tecnológico da humanidade”, mas, como observa Foucault, o momento genealógico de produção de um novo dispositivo social (novas formações discursivas, instituições, arquiteturas, novas posições sociais e sistemas de produção de identidades etc.) Este projeto de pesquisa pretende aprofundar o estudo das redes, especialmente das redes de conexão aberta e sem fio (wireless), a partir do campo teórico das comunicações. É importante ressaltar que a digitalização intensa da produção simbólica, a expansão das redes informacionais, a consolidação da cibercultura, acabou abrindo um terreno favorável a intensa comunicação e interatividade, que culminou com o processo de convergência digital. Redes de conexão abertas pressupõem novos contextos de trocas simbólicas, novas apropriações de seus recursos, novas formas de fruição.Atualmente, pesquisadores de diversas áreas concentram-se nas novas tecnologias produzindo verdadeiros rituais de instituição do tema e instâncias de legitimação (Congressos, revistas especializadas, redes de discussão, textos clássicos de referência etc.) que terão profundas conseqüências nas teorias da comunicação.Tais fenômenos, aceleraram o desaparecimento das fronteiras rigidamente delimitadas entre as telecomunicações, comunicação de massa e informática. Venício A. de Lima considera que revolução digital esvaziará o tratamento dessas três áreas como cenários distintos: “Os modelos teóricos dominantes no campo de estudo da comunicação antes da revolução digital sempre insistiram em deixar de fora as questões ligadas às telecomunicações, área entregue prioritariamente a engenheiros e economistas. Este fato histórico é paradoxal se considerarmos que os próprios cursos de graduação em Comunicação Social foram estruturados em torno de distinções baseadas em tecnologias 'mediadoras' da comunicação e incluem, naturalmente as telecomunicações. É o caso da radiodifusão, isto é, do rádio e da televisão.” (LIMA, 2001, p. 29) Estudar as redes, seus condicionamentos, seus protocolos, sua topologia, suas interfaces, seus usos e apropriações a partir da perspectiva do campo da comunicação exige cada vez mais a observação e compreensão dos impactos e reconfigurações que as decisões técnicas exercem e sofrem do contexto cultural, social e comunicacional no qual se inserem. Tal compreensão é fundamental no contexto de convergência digital crescente. Nesse sentido, não somente a natureza e a implementação dos protocolos, códigos e padrões das redes de transmissão sem fio devem ser investigados como, também, as formas de apropriação e usos que possibilitam aos usuários. Uma série de estudos sobre o processo de recepção presente nas trocas simbólicas mediadas pela imprensa ou pelo “broadcasting”, que tanto contribuíram para o entendimento dos processos envolvendo esse tipo de fruição, precisam testados na análise da comunicação em rede. Novas análises sobre a formação de “comunidades” no ciberespaço, por exemplo, retomam uma série de reflexões sobre as “comunidades imaginadas”(Anderson); “comunidades de apropriação” (Orozco); “comunidades hermenêuticas”(Martín-Barbero); “comunidades virtuais” (Silverstone); “comunidades de interpretação” (Blanco) e o sentimento de pertencimento que conferem aos seus usuários (Souza, 2006). Em que sentido e em que grau podemos contar com os resultados das extensas pesquisas já realizadas sobre os “media” anteriores e até que ponto serão necessárias mudanças radicais nas formas de compreensão e explicação dos novos ambientes digitais estruturados em rede. Pesquisar os usos e reconfigurações sociais das redes sem fio é essencial devido ao seu emprego crescente e a sua possível convergência com a transmissão digitalizada de conteúdos televisivos, bem como, com a ampliação do acesso à Internet pelos celulares. Como exemplo, podemos notar que as redes Wi-Fi (wireless fidelity), utilizando a frequência 2,4 Ghz, aberta ou não -regulamentada, permitiu que explodisse o uso da conexão wireless ou sem fio. Aeroportos, cafés, supermercados, livrarias e bares passaram a fornecer acesso à Internet a partir dos hotspots, zona de cobertura ou espaço onde o sinal de rádio conseguia conectar os computadores e palms. No hotspot é instalado uma antena ligada a um roteador que em geral está conectado com uma rede de banda larga. Esta antena é o centro do access point ou ponto de acesso. O alcance do Wi-Fi é pequeno, aproximadamente 50 metros a depender da antena utilizada, mas permite conectar diversos computadores simultaneamente. Como observa Castells, estamos nos deslocando das relações baseadas no espaço “de lugares” para um tipo novo de trocas simbólicas centradas em um espaço de “fluxos”. Redes de conexão aberta, ad hoc, criariam condições para uma espécie de fluxo de comunicação deslocados tanto no interior do espaço doméstico (de um modo diferente do que ocorria com o “broadcasting”), quanto em uma diversidade de outros espaços (metrôs, trens, ônibus, automóveis). Cada vez mais vários dispositivos são compatíveis com o Wi-Fi, tais como os PDAs e os telefones celulares. Muitas pessoas em casa possuem roteadores de wireless, permitindo que elas acessem a internet de qualquer lugar da casa. Este avanço da comunicação sem fio, principalmente usando as faixas não-regulamentadas do espectro entre 2.4 e 5 Ghz, permitiu a formação de comunidades de compartilhamento de conexão. Milhares de pessoas estão utilizando seus roteadores para irradiar os sinais de rádio para formar uma grande nuvem de conexão. "Comunidades de conectividade" aberta e outras mais restritas estão surgindo e proliferando-se por todo o planeta. Uma dessas comunidades é a dos foneros. Criada na Espanha em 2005, pelo empresário Martín Varsavsky, a empresa FON quer formar uma comunidade Wi-Fi em todo o mundo. Os foneros compartilham seu sinal de wireless com os demais membros da comunidade. Quanto mais pessoas de uma cidade integrarem a comunidade fonera, mais o sinal de Wi-Fi vai se expandindo até cobrir toda a região. Assim, um fonero poderá acessar a rede de qualquer área. La Fonera nada mais é que um roteador que segue os padrões 802.11b e 802.11g, parecido com o Linksys, muito usado no Brasil. Ele joga o sinal de banda larga, obtido pelo cabo que chega até as residências, no ar. Assim as residências convertem-se em um Ponto de Acesso Wi-Fi. La Fonera é um "roteador social" que viabiliza a conexão compartilhada de acesso a rede. Os membros da comunidade acabam podendo usar seus laptops de todo lugar, desfrutando dos pontos de acesso dos demais foneros. La Fonera permite que a página de entrada naquele ponto de acesso seja personalizada. Além disso, cada ponto de acesso é indicado no mapa do site da comunidade. Esta é apenas uma das centenas de "comunidades de conectividade" e "cooperativas de conexão" que estão proliferando em todo planeta e que certamente irão participar dos processos de convergência digital. É preciso entender, portanto, se o acesso a redes ad hoc possibilitam e impulsionam novos usos e apropriações de conteúdos, novas linguagens e produtos midiáticos, novas formas de sociabilidade, participação política, formas não-proprietárias e compartilhadas, novas hibridizações com velhas mídias e relações de interação face a face. É preciso entender como novos universos e mercados simbólicos, novas mediações, são produzidas e interferem na produção dessas novas arquiteturas de rede. Várias cidades no Brasil, estão experimentando a abertura de sinal wireless. Tecnologias de conexão estão sendo testadas em diversos modelos e em diferentes municípios. Um dos municípios com o impacto mais visível do uso das redes sem fio é Quissamã, no norte do Rio de Janeiro. Com aproximadamente 16 mil habitantes, Quissamã, implantou em 2004 a conectividade à Internet via rádio, utilizando para o acesso dos clientes: 1) Placa de Rede Wireless PCI padrão 802.11b ou Access Point padrão 802.11b compatível com equipamentos da Orinoco; 2) Cartão PCMCIA Wireless padrão 802.11b compatível com equipamentos da Orinoco (no caso de notebooks); 3) Cabo coaxial 50 Ohms RGC-213 com conectores N e Pig Tail (estes cabos são necessários para ligar a antena ao seu computador); 4) Antena externa tipo Grade ou Corneta padrão 802.11b (o tipo de antena está diretamente relacionado a distância entre o ponto de acesso e a repetidora). Em menos de um ano, a cidade que contava com aproximadamente 90 usuários residenciais da rede mundial de computadores passou a contar com mais de mil internautas. Trata-se de um local privilegiado para estudar quais as reconfigurações, apropriações e novos usos comunicacionais que as redes viabilizaram na cidade, a velocidade com que se difundem na população, as estratégias de difusão de uma cultura de rede produzida pelo governo municipal, escolas, secretarias, empresas, as transformações e hibridizações que sofrem nesse processo. Este projeto retoma um pioneiro e clássico estudo sobre o “broadcasting” realizado por Luiz Milanesi nos anos 70 e que ficou conhecido como “O Paraíso Via Embratel”. Trata-se de um estudo sobre a presença da televisão na cidade de Ibitinga no qual eram avaliados o seu significado simbólico (a recepção era péssima, o que não diminuía em nada o interesse da população pela “nova tecnologia”), sua aparição nas notícias da imprensa local, sua concorrência com o rádio, a mudança na paisagem com a construção de uma “arquitetura” de torres de transmissão, as “táticas”, as discussões “técnicas” dos moradores para conseguir uma melhoria na recepção, as novas formas de “lazer” que a TV introduziu e a hibridização dos valores associados ao consumo de massa à tradição caipira que marcava a identidade dos moradores da cidade. É preciso lembrar que no imaginário popular da cidade, Milanesi observa que diversas vezes a televisão era vista como produtora de cultura e importante fonte de informação. Três décadas depois, temos a oportunidade de trabalhar em Quissamã uma nova realidade apresentada pela arquitetura de rede sem fio montada na cidade. Estaríamos, agora, diante de “O Paraíso em rede” ou “O Paraíso Digital”? As estratégias de abordagem produzidas para o estudo do “broadcasting” que nos remete aos trabalhos pioneiros dos “Estudos Culturais” (Raymond Williams e Richard Hoggart), à nova geração desse movimento (Sturat Hall, Roger Silverstone e David Morley), à teoria das mediações (Guilhermo Orozco, Nestor Canclini, Jorge Gonzalez e Jésus Martin-Barbero) podem ser utilizadas na análise das “novas tecnologias” ou, por meio de uma série de estudos empíricos, seríamos obrigados a reprensá-las ou renová-las de alguma forma.
A pesquisa empírica com a população de Quissamã será desenvolvida em quatro grandes linhas: 1.) identificação de tipologias de rede, suas possibilidades e sua implementação na cidade 2.) avaliação de interfaces e desenvolvimento de linguagens em ambientes de rede sem fio desenvolvidos na cidade 3.) estratégias de difusão da cultura de rede (diversos agentes envolvidos no processo), as "novas tecnologias" no imaginário dos moradores, seus usos e apropriações no cotidiano. 4.) as novas formas e o significado do consumo e da comunicação publicitária acessada em redes sem fio
OBJETIVOS PRINCIPAIS
O objetivo principal deste projeto de pesquisa é estudar as redes de conexão abertas, focalizando principalmente as redes sem fio (wireless), a partir da perspectiva comunicacional, ou seja, utilizando o instrumental do campo teórico das Comunicação.
São também objetivos relacionados e decorrentes:
1 descrever e mapear as redes abertas, públicas, ad hoc e mesh no país, bem como, realizar uma tipologia das redes sem fio implementadas no Brasil sob a perspectiva comunicacional.
2 observar as reconfigurações e novos usos gerados no processo de sua expansão, pesquisar os elementos fundamentais da conectividade compartilhada em um ambiente de convergência digital;
3 estudar interfaces comunicacionais e seus impactos, inclusive avaliar as possibilidade de integração com comunidades móveis;
5 analisar as novas formas de sociabilidade no interior e a partir das redes de conexão sem fio;
6 avaliar as possibilidades da multimídia nas redes de comunicação wireless abertas e compartilhadas;
7 relatar e observar os impactos sociais, culturais e comunicacionais da implementação de um tipo específico de rede sem fio no município de Quissamã, RJ.
DEMAIS OBJETIVOS
Levantamento de pesquisas teóricas e empíricas relacionadas ao nosso objeto ;
Desenvolvimento de materiais didáticos utilizando recursos multimídia;
Utilização dos materiais desenvolvidos em aulas expositivas;
Criação de canais de comunicação entre alunos e professores via e-mail, newsgroups e chats;
Acúmulo de material preparatório para a criação de cursos à distância.
Criação de um grupo de apoio para o desenvolvimento do material;
Registro e documentação de todas as reuniões e seminários;
Divulgação dos resultados através de seminários, dissertações de mestrado e teses de doutorado e publicação de artigos em congressos e revistas;
Disponibilização do material na internet em um wiki específico;
DESCRIÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA
Para estudar as redes de conexão abertas, principalmente as redes sem fio (wireless) ad hoc, na perspectiva comunicacional, o Projeto foi organizado em 2 fases, cada uma com seis meses de pesquisa. O impacto da rede de Quissamã na comunidade local é o objeto de análise da pesquisa que será realizada sob múltiplas perspectivas.
Na primeira fase será realizado um levantamento e mapeamento do conjunto de redes de conexão sem fio de acesso público, fechadas e abertas, comerciais ou estatais, colaborativas ou não. O objetivo desta fase é construir uma tipologia das redes de conexão a partir de suas características essenciais e distintas. Também serão construídas as hipóteses principais das observações e análises posteriores.
Ainda nesta fase, todos as teorias sobre os impactos das redes de conexão sem fio serão compilados, priorizando o tratamento das análises das redes sem fio e seus efeitos na cultura e sociabilidade das comunidades.
Na segunda fase, serão realizados a observação “in loco” da "rede sem fio" de Quissamã, com a finalidade de:
a) comparar os impactos sócio-culturais das configurações técnicas de cada rede;
b) analisar as formas de uso, apropriação e reconfiguração das práticas comunicacionais pelas comunidades de usuários, buscando identificar os seus fatores impulsionadores, determinantes ou condicionantes;
c) avaliar o sucesso das hipóteses baseadas nos referenciais teóricos redefinidos ainda na primeira fase.
Ainda na segunda fase, serão analisadas os usos da rede aberta, os processos de reconfiguração comunicacionais e sociais, sua expansão geográfica e a apropriação e alteração das interfaces pela comunidade e seus segmentos, do ponto de vista da: I interatividade, II atratividade, III usabilidade, IV interoperabilidade, V eficiência comunicacional, VI percepção das definições políticas embutidas nas arquiteturas de rede, VII grau de apropriação tecnológica, VIII postagem de conteúdos na rede, IX aplicação econômica, X utilização cultural, XI inserção educacional, XII integração com as redes móveis, XII formação as comunidades de convergência digital em torno da rede.
DESCRIÇÃO DA FASE UM
As ações da primeira fase são:
1.1 o mapeamento do conjunto de redes de conexão de acesso público, wireless, ad hoc e mesh, comerciais ou estatais, colaborativas ou não, existentes no país;
1.2 a construção da tipologia das redes de conexão wireless, a partir de suas características essenciais e distintas, ressaltando os elementos que permitam definir os graus de convergência com o universo da mobilidade e com outras midias;
1.3 a definição dos referenciais teóricos e das hipóteses a serem aplicadas na pesquisa;
1.4 o levantamento das interfaces, repositórios e portais utilizados nas redes wireless de acesso público.
DESCRIÇÃO DA FASE DOIS
Na segunda fase serão realizadas as seguintes atividades:
2.1 a pesquisa de campo no município de Quissamã, buscando enquadrá-la na tipologia de redes abertas construída na primeira fase, bem como, visando registrar e analisar o impacto das redes wireless no cotidiano sócio-comunicacional dos segmentos da população;
2.2 a comparação dos impactos sócio-culturais originadas das decisões técnicas e do tipo de arquitetura adotada;
2.3 a análise das formas de uso, apropriação e de reconfiguração das práticas comunicacionais adotadas pelas comunidades de usuários;
2.4 a identificação dos fatores estimulantes, determinantes ou condicionantes das práticas autônomas, dos usos diferenciados e colaborativos;
2.5 a implementação das hipóteses construídas na primeira fase, principalmente na formulação da estratégia da pesquisa de campo;
2.6 o registro escrito e audio-visual do trabalho de campo;
2.9 a publicação desses registros na ferramenta wiki da pesquisa, a ser disponibilizada na web;
2.10 a aplicação da hipótese dos elementos fundamentais para a formação de uma rede de conectividade compartilhada em um ambiente de convergência digital;
METODOLOGIA E TÉCNICAS DE PESQUISA
A pesquisa utilizará as técnicas qualitativas, conforme cada fase da pesquisa. Os métodos da observação e o das entrevistas de profundidade serão utilizados na análise da formação, das reconfugurações, novos usos e impactos da expansão da rede de Quissamã. Além disso, as pesquisas qualitativas já consolidada em estudos antropológicos, netnográficos, comunicacionais e sociológicos, servirão de fonte secundária para a formação das hipóteses e das diretrizes do trabalho de campo.
O método estarjavascript:insertTags('\n== ',' ==\n','Headline text'); Level 2 headlineá principalmente referenciado nos estudos de recepção, estudos culturais e na pragmática, adequados às especificidades da comunicação mediada por computador, bem como, na observação das comunidades virtuais, dos relacionamentos on-line e da fusão com a mobilidade de usuários de aparelhos móveis de comunicação com a Internet.
Para acompanhar a evolução de uso e dos impactos da rede, na segunda fase, o grupo de pesquisadores irá realizar incursões de campo. Escolas e instituições locais serão visitadas, moradores, usuários e não usuaŕios das redes, serão entrevistados, visando captar as percepções intersubjetivas, as mediações realizadas pelos segmentos sociais de Quissamã, bem como, buscando a compreensão das práticas comunicacionais, interatividade, apropriação tecnológica, aprendizado, impactos sócio-econômicos da comunicação em rede.
REFERÊNCIAS TEÓRICAS INICIAIS
A pesquisa parte da perspectiva sociotécnicas sumarizada por R. Kling e defendida também pelo pesquisador Mark Warschauer. Tal perspectiva tem como pressuposto os elementos já constatados pelo sociólogo Manuel Castell e consideram a reconfiguração tecnológica por parte dos usuários das redes o elemento decisivo para a compreensão de sua expansão, fracasso ou sucesso. Os principais componentes da perspectiva sociotécnica são:
- As Tecnologias da Informação e Comunicação é uma rede sociotécnica.
- Exige uma abordagem ecossistêmica, uma visão ecológica.
- As implantações da TIC são um processo social contínuo.
- Os estímulos podem requerer reestruturação (e podem estar em conflito). (?????????)
- Os relacionamentos são complexos, negociados, polivalentes (incluindo confiança).
- Buscar as grandes repercussões sociais a partir da TIC (não apenas qualidade de vida do trabalho, mas qualidade total de vida).
- Os contextos são complexos (por exemplo, matrizes de negócios, serviços, pessoas, tecnologia, história, localização).
- Tentar captar novas habilidades e conhecimentos nascidos dos processos de apropriação e reconfiguração social da tecnologia, quais as habilidades e iniciativas adicionais foram necessárias para a incorporação das tecnologias sem fio no cotidiano social.
Além disso, o processo atual de convergência digital apresenta um conjunto de novos desafios teóricos para compreender o fenômeno comunicacional, uma vez que partimos do pressuposto que a a convergência é um processo social, intersubjetivo, e ocorre dentro das mentes dos consumidores individuais e através de suas interações sociais com os outros, como apontam os estudos de Henry Jenkins. Portanto, nossa perspectiva teórica básica considera que a tecnologia não é neutra em relação a sociedade e a sua esfera pública. Não é a tecnologia que determina a sociedade, mas as invenções e inovações tecnológicas criadas por e para determinados segmentos sociais acabam envolvendo e condicionando o conjunto das práticas sociais. Nesse sentido, a pesquisa considera importante os pressupostos de Yochai Benkler:
“For decades our understanding of economic production has been that individuals order their productive activities in one of two ways: either as employees in firms, following the directions of managers, or as individuals in markets, following price signals.” (...) “In the past three or four years, public attention has focused on a fifteen-year-old social-economic phenomenon in the software development world.” (...) “I suggest that we are seeing is the broad and deep emergence of a new, third mode of production in the digitally networked environment. I call this mode "commons-based peer-production," to distinguish it from the property- and contract-based models of firms and markets. Its central characteristic is that groups of individuals successfully collaborate on large-scale projects following a diverse cluster of motivational drives and social signals, rather than either market prices or managerial commands.” (BENKLER, 2002)
Benkler não parte da perspectiva da divisão da sociedade em classes sociais. Suas categorias são as mesmas usadas pelos economistas institucionalistas. A evolução de sua argumentação não requer a denúncia do mecanismo do mercado e de seus processos de exclusão integradora. Suas categorias são firmas, sinais de mercado, indivíduos consumidores e que perseguem os sinais da flutuação dos preços, no cenário de confronto dos interesses distintos da oferta e da demanda. Para o pensador norte-americano a liberdade de participação nas redes, a livre iniciativa, diante de um leque extremamente variado de interesses, levam os indivíduos a organizarem projetos colaborativos em que seus participantes não são firmas, nem indivíduos que perseguem sinais de mercado, mas sujeitos que criam importantes produções colaborativas de grande alcance social.
Na busca da compreensão maior do fenômeno dos commons, Benkler foi aprofundando seus estudos, seguindo a expansão da sua presença nas redes informacionais. Em 2006, publicou o livro The Wealth of Networks: how social production transforms marets and freedom. Logo na abertura do primeiro capítulo, ele deixa evidente o traçado de suas idéias e os seus objetivos teóricos:
Information, knowledge, and culture are central to human freedom and human development. How they are produced and exchanged in our society critically affects the way we see the state of the world as it is and might be; who decides these questions; and how we, as societies and polities, come to understand what can and ought to be done. For more than 150 years, modern complex democracies have depended in large measure on an industrial information economy for these basic functions. In the past decade and a half, we have begun to see a radical change in the organization of information production. Enabled by technological change, we are beginning to see a series of economic, social, and cultural adaptations that make possible a radical transformation of how we make the information environment we occupy as autonomous individuals, citizens, and members of cultural and social groups. It seems passe today to speak of “the Internet revolution.” In some academic circles, it is positively naıve. But it should not be. The hange brought about by the networked information environment is deep. It is structural. It goes to the very foundations of how liberal markets and liberal democracies have coevolved for almost two centuries. (BENKLER, 2006)
O que chama de 'revolução da Internet' é o que permitiu a construção de uma rede de troca de informações digitais, descentrada, sem os controles rígidos dos meios de comunicação de massa, baseada na interatividade. Neste ambiente digital, Benkler vê um ecossistema e uma ecologia institucional que é fruto de uma batalha entre a liberdade de criação e os grandes grupos que controlaram até então a produção da cultura e os principais meios de comunicação. Para Benkler, a rede mundial de computadores permitiu emergir a produção social ou colaborativa entre pares, que conta com indivíduos livres. A liberdade é a base da colaboração. Se na sociedade industrial, a liberdade serviu principalmente a ampliação dos mercados, na era da Internet, a liberdade está servindo para a expansão dos commons e do seu sucesso dependerá o futuro da criatividade e da própria liberdade humana.
PERÍODO DE DURAÇÃO: 2 SEMESTRES
PRODUTOS DA PESQUISA
A pesquisa terá como produtos:
Relatórios;
Artigos;
Seminários de divulgação;
Portal da pesquisa;
Análise das possibilidades das redes wireless para convergência digital;
Vídeos sobre a pesquisa.
EQUIPE E RECURSOS PARA CADA FASE DA PESQUISA
FASE UM
EQUIPE
1 Prof Dr coordenador do Estudo das práticas comunitárias e colaborativas da cultura da rede;
1 Prof Dr coordenador do Estudo das Interfaces e aplicações multimídia;
1 Prof Dr coordenador da Estudo sobre impactos socio-culturais das redes abertas;
3 Pesquisadores-mestrandos;
3 Pesquisadores iniciação científica. [[1]=2889]]
RECURSOS
-6 computadores para uso coletivo dos pesquisadores 2 bancadas 3 mesas de escritório 9 cadeiras.
-Custo de link de 2 Mb para o portal do projeto.
-Custo de aquisição de publicações e assinaturas de revistas especializadas (aproximadamente R$ 20.000,00).
FASE DOIS
EQUIPE
1 Prof Dr coordenador do Estudo das práticas comunitárias e colaborativas da cultura da rede;
1 Prof Dr coordenador do Estudo das Interfaces e aplicações multimídia;
1 Prof Dr coordenador da Estudo sobre impactos socio-culturais das redes abertas;
1 consultor para projetar e acompanhar a montagem da rede ad hoc 1 técnico de rede;
2 bolsistas mestrandos de ciências da computação;
6 bolsistas mestrandos de comunicação;
8 bolsistas de iniciação científica de comunicação.
RECURSOS:
2 servidores de rede, 6 computadores laptop, 2 roteadores linksys, 10 celulares multimídia, 2 filmadoras, 6 máquinas fotográficas digitais
-Estimar o custo de viagem de 6 pessoas, 2 vezes, 10 dias de estadia cada vez, para Quissamã.
(passagens, estadia e diárias de alimentação)
-Custo da edição dos vídeos (um de 30 minutos e outro de 10 minutos sobre a pesquisa e seus resultados)
-Custo de um seminário (2 dias) com passagens pagas, diárias e cachê para 15 pesquisadores, incluindo 8 pesquisadores de outros Estados do Brasil, material de divulgação, etc.
-Custo de uma publicação com artigos dos pesquisadores (200 páginas, tiragem 3 mil)
BIBLIOGRAFIA BÁSICA E DEMAIS REFERENCIAIS
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SITES
REDES E ASSOCIAÇÕES
Digital Home Working Group
Enterprise Wireless Assn. (EWA, merger of ITA and AMTA) --license holders
FreeNetworks
IDB Forum (automotive version of IEEE-1394)
IEEE Communications Society
IEEE Vehicular Technology Society
International Foundation for Telemetering
Mobitex Operators Association (MOA)
Multiband OFDM Alliance
Near Field Communication Forum (NFC)
Open Mobile Alliance seeking open standards and interoperability
Personal Radio Steering Group --users of licensed spectrum
Private Wireless Forum
Radio Club of America
Radio Technical Commission for Aeronautics (RTCA)
Rede Nacional de Pesquisa www.rnp.br
SMS Forum
Software-Defined Radio Forum
TETRA MoU (European trunking standard)
Uniform Code Council --bar codes, RFID standards
UMTS Forum
UMTS World (WCDMA)
United Telecom Council --Utilities community
USB Implementers' Forum (Universal Serial Bus)
USENIX (Advanced Computing System Association)
WiMAX Forum to promote wireless broadband access
WiMedia Alliance --high speed personal area networks
Wireless Anarchy project --free wireless Internet access
Wireless Communications Association International (WCA) -- wireless broadband
Wireless Ready Alliance (CDPD)
Wireless Strategic Initiative—3G
Wireless World Research Forum—4G
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REDES, COMUNICAÇÃO E PUBLICIDADE
Prof. Ms. Walter Freoa
A SINGULARIDADE DA PROPAGAÇÃO DE NEGÓCIOS NUMA REDE WIFI ABERTA NA CIDADE DE QUIÇAMÃ NO RIO DE JANEIRO POR MEIO DA PUBLICIDADE ON-LINE.
Visão Geral do Projeto:
INTRODUÇÃO
O Grupo de Pesquisa de Comunicação, Tecnologia e Cultura de Rede da Pós-Graduação da Faculdade Cásper Líbero integra a linha de pesquisa denominada Processos Midiáticos: Tecnologia e Mercado. Esta linha visa estudar as relações entre as velhas e as novas mídias, universo dos games, do cinema e da TV Digital, do software como mídia, da governança da Internet, da exclusão digital, das comunidades virtuais, da política na rede, entre outros.
As redes informacionais têm sido cada vez mais estudadas por diversas ciências. Seu fenômeno é tão intenso e academicamente relevante que tem motivado muitos debates sobre a necessidade da constituição de uma nova área do conhecimento, chamada de ciência da rede1 (web science). É possível considerar a rede das redes, a Internet, como o símbolo da era informacional. O impacto das tecnologias de rede ultrapassa o interesse das ciências da natureza. O sociólogo Manuel Castells qualificou de sociedade em rede essa nova fase do capitalismo contemporâneo. O pesquisador Yochai Benkler alertou-nos que as redes estão viabilizando uma nova forma de produção baseada na colaboração e no compartilhamento. As redes estruturam a comunicação mediada por computador e são o território de onde emerge a cibercultura.
Este projeto de pesquisa pretende aprofundar o estudo das redes, especialmente das redes de conexão aberta e sem fio, a partir do campo teórico das comunicações. É importante ressaltar que a digitalização intensa da produção simbólica, a expansão das redes informacionais, a consolidação da cibercultura, acabou abrindo um terreno favorável a intensa comunicação e interatividade, que culminou com o processo de convergência digital. Tais fenômenos, aceleraram o desaparecimento das fronteiras rigidamente delimitadas entre as telecomunicações, comunicação de massa e informática.
Assim, neste projeto pretendemos estudar as redes abertas de conexão, as práticas colaborativas na infra-estrutura, as arquiteturas em malha e ad hoc, além disso, buscamos encontrar indicadores, cientificamente válidos, para analisar sua organização, desenvolvimento, uso e impactos sociais, na perspectiva do campo comunicacional e as consequ~encias da propagação de negócios por meio da publicidade on-line. Consideramos que estudos de campo são indispensáveis nesse cenário de convergência digital, em um país de profundos contrastes, grande desigualdade de acesso às redes e às tecnologias, ao mesmo tempo, marcante por sua intensa criatividade e participação.
Mas, à medida que nossa compreensão do passado se torna cada vez mais dependente da mediação das formas simbólicas, e a nossa compreensão do mundo e do lugar que ocupamos nele vai se alimentando dos produtos da mídia, do mesmo modo a nossa compreensão dos grupos e comunidades com que compartilhamos um caminho comum através do tempo e do espaço, uma origem e um destino comuns, também vai sendo alterado: sentimo-nos pertendentes a grupos e comunidades que se constituem em parte através da mídia. ... fenômeno da ‘socialidade mediada’. (THOMPSON, 2003, p. 39)
Como citado por Thompson, as comunidades virtuais são grupos de pessoas com interesses comuns que se comunicam estruturadamente através de meios eletrônicos, principalmente a Internet. Comunidades virtuais são grupos de pessoas com interesses comuns que se comunicam estruturadamente através de meios eletrônicos, principalmente a Internet. O advento da Internet como meio de comunicação ágil, flexível e de baixo custo, e sua adoção em larga escala pelas organizações foram os propulsores das comunidades virtuais. Grupos de pessoas com interesses comuns - em uma organização ou em várias - se formaram paulatinamente, se comunicando através de e-mail, chats e websites. Profissionais de uma área específica podem trocar informações relevantes para o seu dia-a-dia, sobre suas melhores práticas, a forma como estruturaram seus processos e a compartilhar soluções para os seus problemas mais comuns. Verdadeiras comunidades começaram a se formar nas empresas em torno do compartilhamento de suas práticas.
A Internet passou a ser a base tecnológica para a forma organizacional da Era da Informação: a rede. Uma rede é um conjunto de nós interconectados. As redes têm vantagens extraordinárias por sua flexibilidade e adaptabilidade inerentes, características necessárias para sobreviver num ambiente em mutação constante. No final do século XX, três processos inauguraram uma nova estrutura social baseada em redes:
1. As exigências da economia por flexibilidade administrativa e por globalização, da produção e do comércio;
2. As demandas da sociedade, em que os valores da liberdade individual e da comunicação aberta tornaram-se supremos;
3. Os avanços extraordinários na computação e nas telecomunicações possibilitados pela revolução microeletrônica. Sob estas condições a Internet tornou-se a alavanca na transição para uma nova forma de sociedade - a sociedade de rede - e conseqüentemente uma nova economia.
Levy (1999, p.64) que apresenta as diferentes dimensões da comunicação e notamos quão amplas e diversas são as aplicações da Internet como meio de comunicação. Interfere nas relações entre pessoas e informações entre empresas. Permite a comunicação de muitos com muitos, num determinado momento, com um receptor ou receptores que podem ser escolhidos e em escala global. A utilização da Internet como sistema de comunicação e forma de organização explodiu nos últimos anos (Castells 2003, p.8). A influência das redes baseadas na Internet vai além do número se seus usuários, podemos destacar a busca da qualidade como essencial às atividades econômicas, sociais, políticas e culturais. A difusão, a lógica, a linguagem e os limites da Internet, como meio de comunicação, não são bem compreendidos, pois a velocidade da transformação tornou difícil para a pesquisa acadêmica acompanhar o ritmo da mudança e algumas vezes assumiu a forma de profecias futurológicas. A comunicação consciente, a linguagem humana, é o que faz a especificidade biológica da espécie humana. A Internet transforma o modo como nos comunicamos, nossas vidas são profundamente afetadas por essa nova tecnologia da comunicação.
A linguagem e os limites da Internet não são bem compreendidos além da esfera de disciplinas estritamente tecnológicas . A utilização da Internet como mídia já é um fato real, e com a rápida ascensão da Tecnologia da Informação a sociedade atual passa por mudanças. Notamos, porém, que ainda não é possível prever aonde chegaremos, mas podemos constatar as rápidas e fortes modificações que estão ocorrendo, desde já, nas relações entre as pessoas que utilizam a Internet como meio comunicação. A Internet tem sido estrategicamente utilizada para exaltar a imagem e a marca das empresas e a competitividade de empresas. Surge uma lógica da competitividade que foi elevada a uma posição de imperativo da sociedade. Esta competitividade revolucionou a circulação dos bens e favoreceu a expansão da economia. Uma revolução informática converteu e transformou países a um modelo econômico único, através da colocação em rede com o planeta. Ramonet chama esta colocação de laços sociais ou hipertecnologia.
Conseqüentemente estamos vivendo sob novos paradigmas, especialmente os efeitos provocados pela globalização e revolução tecnológica da informação. Castells (1999, p.121) trata destas alterações da era contemporânea como o surgimento do “informacionalismo” : “A tecnologia da informação tornou-se ferramenta indispensável para a implantação efetiva da reestruturação socioeconômica”. Neste caso a geração de riqueza, poder e a criação de novos códigos culturais vêm da capacidade tecnológica da sociedade. Nem sempre a comunicação, o fator principal para que a tecnologia da informação, as mudanças, a globalização e a consolidação da nova economia se implementem, tem sua importância e seu devido valor. Precisamos lembrar que a tecnologia da informação está à disposição para a comunicação entre pessoas e não simplesmente a tecnologia pela tecnologia.
O ponto que queremos estabelecer nesse projeto de pesquisa: o uso da publicidade on-line para propagação de negócios numa comunidade altera a relação e modifica a distribuição de riqueza. Pretendemos discutir se existe realmente uma comunidade singular após a implantação da rede aberta wi-fi na cidade de Quiçamã. Questões que precisam ser respondidas: Se não tivéssemos tal tecnologia de rede existiriam estas comunidades no formato atual? Por que fazem publicidade? Qual a eficiência da Publicidade on-line? Há como comparar a publicidade na TV com a publicidade na Internet na comunidade? Na realidade, nessa comunidade, o que é medido na publicidade on-line é a marca ou a eficiência do banner? A Internet é uma mídia mais eficaz para publicidade comparada com outras mídias? E outras questões relacionadas às mudanças comportamentais. Estas questões serão respondidas na literatura e na pesquisa de campo. Faremos uma revisão da literatura disponível sobre as transformações da publicidade e a evolução da Internet e do seu uso como meio publicitário.
A publicidade na Internet manifestou-se nos primeiros sítios virtuais (sites) com o propósito de oferecer informações úteis a respeito de seus produtos e serviços, a grande maioria como um catálogo eletrônico, e relacionados com empresas de Internet e informática. Aos poucos outros formatos apareceram e foram conhecidos com pequenos anúncios ou banners em seções dos provedores de acesso e de conteúdo sem, no entanto, fazerem um link com o canal ou site relacionado. Hoje, a publicidade na Internet abrange vários tipos de serviços desde mensagens simples até a divulgação de um produto para comercialização. As novas tecnologias trouxeram mudanças na publicidade tradicional e a Internet pode se transformar em uma valiosa ferramenta de comunicação persuasiva e ainda ser dirigida de maneira customizada e personalizada para indivíduos, na figura de consumidores, para produtos, serviços e marcas. A Internet apresenta várias vantagens em relação aos anúncios veiculados nos meios de comunicação tradicionais: televisão, rádio, cinema, revista e jornal.
A valorização da marca e da imagem são marcantes na Internet. O crescimento da Internet gera um conhecimento e uma abertura ampla de informações. Notamos uma infusão das marcas nas mensagens publicitárias com significados profundos e na essência demonstrando ao receptor a necessidade de mudanças nas escolhas. Em escala mais ampla a marca exerce um papel mais drástico: não só conferir a marca nos produtos e serviços, mas especialmente estabelecer uma cultura externa e o culto à marca (Klein 2002, p.52). Notamos que cultuar a marca não é apenas uma questão de agregar valor ao produto ou serviço, mas trata-se de incutir idéias e ícones culturais que refletem idéias e imagens na cultura como extensões da marca na publicidade independentemente veiculadas na mídia eletrônica de massa, tradicional, ou mesmo na Internet. A cultura agrega valor às marcas e o expansionismo das marcas vai além dos patrocínios tradicionais, a marca faz parte do cotidiano urbano, nos cartazes, nas faixas, na música, na arte, no cinema, nos eventos comunitários, nas revistas, nos esportes, nas escolas, na academia. A publicidade e o patrocínio sempre utilizaram a imagem para equiparar produtos ou serviços a resultados e experiências culturais e sociais positivas.
A marca é importante porque muda nossa cultura, nossas idéias, nossos espaços e nossa maneira de ver o mundo. A razão é muito simples: o processo de construção dessas marcas vai além do esforço publicitário, do negócio, mas constrói um conceito, um ideal, um significado; vimos uma tendência que impulsiona as corporações de valorizar mais as propriedades intelectuais e menos as propriedades físicas. As necessidades humanas básicas, como previdência, segurança, assistência médica, são tratadas como mercadorias - a privatização da vida (Klein 2002, p.184).
OBJETIVOS PRINCIPAIS
O objetivo principal deste projeto de pesquisa é estudar as redes de conexão abertas, focalizando principalmente as redes sem fio (wireless) ad hoc, a partir da perspectiva comunicacional, ou seja, utilizando o instrumental do campo teórico das Comunicação. São também objetivos relacionados e decorrentes:
1- Pesquisar os elementos fundamentais da conectividade compartilhada em um ambiente de convergência digital;
2- Estudar interfaces comunicacionais e seus impactos nos portais de integração com comunidades móveis;
3- Analisar as novas formas de sociabilidade no interior e a partir das redes de conexão ad hoc;
4- Avaliar as possibilidades da multimídia nas redes de comunicação wireless abertas e compartilhadas;
5- Descrever e mapear as redes abertas, públicas, ad hoc e mesh no país;
6- Para atender o objetivo principal, a pesquisa contará com uma fase experimental que visará a formação de uma nuvem de conexão à Internet, aberta, utilizando a arquitetura ad hoc, na cidade de Quiçamã no Rio de Janeiro, onde a prefeitura instalou um sisitema de wireless de livre acesso.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Optamos por definir alguns objetivos específicos, são eles:
1- Ver a importância do estudo publicidade de maneira mais ampla. Mudar a percepção da visão simplista que a publicidade tem de ser apenas comercial e consumista.
2- Conhecer melhor quais os objetivos de uma comunidade e como estas usam a comunicação como base para o relacionamento.
3- Que mudanças na propagação de negócios ocorrem numa comunidade quando a rede é aberta e a comunicação on-line possibilita uma liberdade de navegação.
DEMAIS OBJETIVOS
1- Desenvolvimento de materiais didáticos utilizando recursos multimídia;
2- Pesquisa bibliográfica sobre o tema;
3- Disponibilização do material na internet em um wiki específico;
4- Criação de um grupo de apoio para o desenvolvimento do material;
5- Registro e documentação de todas as reuniões e seminários;
6- Divulgação dos resultados através de seminários, dissertações de mestrado e teses de doutorado e publicação de artigos em congressos e revistas;
7- Utilização dos materiais desenvolvidos em aulas expositivas;
8- Criação de canais de comunicação entre alunos e professores via e-mail, newsgroups e chats;
9- Acúmulo de material preparatório para a criação de cursos à distância.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Num primeiro momento o estudo se dará por meio de uma pesquisa bibliográfica para levantamento de dados teóricos e científicos pertinentes à pesquisa. Esta pesquisa tem como alvo selecionar as referências de maior importância dentro das áreas de interesse para nosso estudo, a saber: área da comunicação, da internet, da publicidade, das comunidades virtuais e dos participantes dessas comunidades. Juntamente com a pesquisa bibliográfica, pretendemos também visitar sites e entrevistar profissionais especializados no estudo desse assunto. Para essa etapa propomos um número de seis profissionais das diversas áreas. Em seguida partiremos para a definição do nosso corpus de análise. Inicialmente analisaremos os sites mais conhecidos e utilizados na comunidade e uma vez definido o nosso corpus (o considerado mais pertinente à pesquisa) procederemos à nossa análise mais detalhada.
Agrupamos os questionários em blocos de perguntas para facilitar a análise:
1- Utilização da Internet: intensidade (quantas horas navegam na Internet) e freqüência de uso (quantas vezes acessam a Internet);
2- Características do uso: obter informação (notícias), sala de bate-papo (Messenger, ICQ, etc.), realizar pesquisa acadêmica, fazer compra on-line ou off-line; e-mails, etc.;
3- Qual o grau de utilização da Internet;
4- Saber se acessou a publicidade na Internet;
5- Qual o local de acesso mais utilizado para navegar na Internet (casa, trabalho, escola, lan house).
6- Como compra pela Internet? O que compra? O que deseja comprar?;
7- A Internet como fonte de informação publicitária; comparação da Web com outras fontes de informação publicitária: jornal, TV, rádio, boca-em-boca, outdoor, etc.;
8- Objetivo da busca de informações: produtos, serviços, busca de preço, decisão (on-line) e compra (on-line ou off-line);
9- Comparativo da Internet X televisão X rádio X jornal X revista (tempo dedicado a outras mídias);
10- Tipos de produtos ou serviços mais comprados e consultados na Internet (telefones celulares, computadores, máquinas fotográficas digitais, CDs de músicas, DVDs, ingressos para shows, viagens, entre outros);
11- Questionário para responder as questões acima. O questionário será estruturado da seguinte maneira:
a. As perguntas no formato de questionário serão apresentadas a todas as pessoas exatamente com as mesmas palavras e na mesma ordem, desta forma, asseguramos que todos os pesquisados respondam abertamente às mesmas questões, facilitando a comparação e a análise posterior. Utilizaremos perguntas fechadas e padronizadas, facilmente aplicáveis e analisadas rapidamente. A principal desvantagem desta aplicação é a limitação das respostas. Também usaremos perguntas abertas com respostas livres, não limitadas por alternativas. A principal vantagem do questionário está na quantidade de pessoas pesquisadas; mais abrangente do que a pesquisa de focus group.
b. As perguntas terão a preocupação de responder às questões relacionadas a: uso para a comunicação e a aquisição de informação, consumo de outras mídias, consumo de conteúdo e downloads, características da amostra, características do acesso (freqüência, local de uso, etc.), desejo de posse de bens digitais, uso para pesquisa de preços e de produtos, rotina de navegação e ambiente midiático (formato e personalização).
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www.hotmail.com
"ESBOÇO DE UMA ECONOMIA DAS TROCAS SIMBÓLICAS NA REDE: experiências de difusão, apropriação, reconfiguração e usos das novas tecnologias em rede"
Prof. Dr. Liráucio Girardi Júnior
Procuro resgatar a contribuição de um projeto pioneiro para o estudo do broadcasting no final dos anos 70. Trata-se da obra de Luiz Augusto Milanesi, "O Paraíso via Embratel". Não estaríamos nos defrontando com uma espécie de "O Paraíso via Rede" ou "O Paraíso Digital"?
Esse estudo é marcadamente influenciado pela sociologia de Pierre Bourdieu (particularmente "Regras da Arte"), embora contenha certos posicionamentos críticos quanto aos limites de sua teoria da ação e das trocas simbólicas.
Outras fontes são Raymond Williams (e algumas linhas atuais dos Estudos Culturais), desdobrando-se para os estudos de Roger Silverstone e David Morley sobre tecnologias domésticas; a teoria das mediações (Barbero, Orozco, Canclini); sua transição para contextos de hipermidia, convergência midiática, tecnologias que podem desterritorializar o contexto/"mercado" da recepção/fruição, permitindo novas formas de interação social/práticas sociais, sociabilidade/socialidade (Simmel/Maffesoli) e produção de sentidos.
OBJETIVOS: Produzir estudos de caso sobre o significado social e comunicacional das redes sem fio ad hoc, a partir das seguintes orientações:
- entender as mediações que estão presentes nos usos sociais das redes (comunidades de conectividade, comunidades de usos e interação, comunidades interpretativas ver Orozco: artigo Communicare)
- avaliar os tipos de interação que a comunicação mediada pelas redes possibilitam (seriam diferentes de um rede de conexão tradicional?)
- verificar como as redes ad hoc e o acesso aos computadores modificou a percepção dos moradores sobre a cidade (a rede e os computadores como signo de autoridade, modernidade, prestígio)
- registrar o processo de construção social do significado do acesso ad hoc às redes na comunidade (grupos mais ativos na sua apropriação, mecanismos de propaganda e difusão da cultura de rede pela comunidade, estratégias de acesso às redes, propaganda institucional e projetos de qualificação voltados para o disseminação da cultura de rede na comunidade)
- avaliar o impacto da introdução da rede ad hoc na comunidade do usuário (parentes, amigos de escola, vizinhos)?
- verificar se o acesso livre à rede leva à cultura de uso de software livre e do uso compartilhado da tecnologia
- verificar se o uso de redes virais produzem uma cultura de uso da rede diferenciada
- Verificar como as mediações presentes no bairro (movimentos sociais, culturais, musicais)podem oferecer resistência, reconfigurar ou apropriar-se das redes ad hoc e a mudança que isso gera nas trocas comunicacionais dessas comunicadades
- verificar a mudança e integração das formas de representação dos grupos sociais no "mundo da vida", "territorializado"(Habermas) e no mundo virtual.
- identificar como a cultura da interface ou a cultura de rede é produzida no universo familiar ou no universo dos centros de inclusão digital(formas de disseminação, quem define os horários de uso e os tipos de uso, o local em que é feito o acesso);
- observar se as diferenças de gerações, gênero, escolaridade na família escolhida interferem na representação, recepção e usos sociais das redes a hoc;
- avaliar se a presença das redes ad hoc produz novas necessidades simbólicas nas famílias ou passar a responder a certas necessidades da família ? Onde e como são produzidas essas necessidades (mídia, escola, amigos, interações em rede?);
- a presença das redes ad hoc e o uso de computadores redefinem a relação com outras formas de comunicação mediada presentes no espaço doméstico (composição do cenário midiático doméstico: aparelhos, marcas, horários e modos de uso)ou as relações sociais de um modo geral?
- como se dá o hábito midiático (ver TV, ouvir rádio, ler jornal, telefone etc.), dentro e fora da internet (off-line e on-line)?
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"AUDIOCAST LIVRE E RÁDIOS AUTÔNOMAS NA INTERNET: um formato líquido”
Prof. Magaly Prado
A idéia é estudar a viabilidade de mapear o rádio no formato audiocast, ou podcast, como é conhecido, confrontando o dial tradicional com a possibilidade da autonomia das rádios na Internet com foco no local escolhido para aplicação da pesquisa.
Porém, um rádio (dos moradores da cidade) customizável, no qual os ouvintes da região de cobertura possam realmente interagir, tornando-se co-produtores e incitando-os a ocupar o lugar dos protagonistas. Resgatar o pensamento de Brecht quando dizia:
“É preciso transformar o rádio, convertê-lo de aparelho de distribuição em aparelho de comunicação. O rádio seria o mais fabuloso meio de comunicação imaginável na vida pública, um fantástico sistema de canalização. Isto é, seria se não somente fosse capaz de emitir, como também de receber; portanto, se conseguisse não apenas se fazer escutar pelo ouvinte, mas também pôr-se em comunicação com ele. A radiodifusão deveria, conseqüentemente, afastar-se dos que a abastecem e constituir os radiouvintes como abastecederores.” (Bertold Brecht, 1927-1932)
Bertold Brecht, 80 anos atrás, em seus escritos na obra “Teoria do Rádio” (1927-1932), portanto na fase inicial do veículo, clamou pela reflexão das possibilidades democráticas da radiodifusão. Na época, Brecht profetizou sobre o que deveria ser o papel do rádio, o que nos remete exatamente ao que o rádio está se transformando hoje: Finalmente, um veículo que pode ser produzido pelos receptores, pelos ouvintes, conforme anteviu o pensador. Com seus pensamentos, Brecht, conseqüentemente, previu o surgimento das rádios livres, das rádios comunitárias e das rádios pessoais, os chamados audiocasts (podcasts) do século 21. Ou seja, toda forma de se fazer rádio com liberdade e, de preferência, com responsabilidade social a serviço da comunidade.
Essa interação pode se dar como interferência tanto na produção quanto na edição de programas, e mais: opinando e repercutindo notícias de interesse comum da comunidade. Uma maneira de sugerir que se rompa com os modelos convencionais e que se pratique a permanente desmontagem dos canais oficiais de distribuição de música e informação, na qual implica cada vez mais em canais autônomos.
A idéia é mapear, no sentido de recolher e apresentar o que vem sendo produzido na cidade escolhida como programas de rádio e audiocasts que geram conhecimento e convidar produções inteligentes a participar da programação. Uma programação que vai, preferencialmente, falar de comunicação, tecnologia, educação cultura e entretenimento, com foco principal nas redes informacionais englobando todos esses temas.
Paralelamente, mostrar o fenômeno do rádio que emerge com o crescimento da Internet e o impacto que causa na radiofonia tradicional e no jeito de se relacionar com a audiência. Traçando um paralelo com o descontentamento dos OUVINTES que conseguiram, pela primeira vez na história, produzir a própria rádio de forma livre, com a possibilidade de receber ajuda coletiva, já que aceita a colaboração dos demais ouvintes, formando, uma rede de afinidades.
A teoria de Mc Luhan sobre a Aldeia Global descreveu o efeito da rádio nos anos 20, ao trazer até nós um contacto mais rápido e mais íntimo com os outros do que alguma vez acontecera antes. McLuhan acreditava que, enquanto a imprensa nos destribalizou, os media electronicos estão a retribalizar-nos. Que os media electronicos estão a reconstituir uma tradição oral, pondo todos os nossos sentidos em jogo. O que nos afasta da visão linear e sequencial do paradigma da imprensa. Em The Medium is the Massage, McLuhan afirma que vivemos numa Aldeia GLobal, um acontecimento simultâneo em que o tempo e o espaço desapareceram. Os media electronicos envolvem-nos a todos. Não só se encontra aí uma nova visão multisensorial do mundo, mas agora também pessoas de qualquer parte deste podem comunicar como se vivessem numa aldeia. (Mc Luhan, 1967)
Há que se considerar que o pensador canadense Marshall McLuhan proferiu a teoria da Aldeia Global em 1967, quando a rede mundial dos computadores nem existia ainda. Mas a prova da existência positiva das radios na rede é abalizada na crescente aplicação que a esfera da Internet oferece ao compartilhamento dos saberes. E o que é principal, por acreditarmos na importância da democratização da informação. O ouvinte pode, por exemplo, receber informações de uma rádio, que fornece ferramentas que, inclusive, incentivem o espírito colaboracionista desse internauta.
Esse contexto de fazer rádio na rede de forma coletiva como pretendemos ao longo do desenrolar dessa pesquisa provoca a reformulação do modo de fazer rádio hoje em dia. Não basta ter apresentadores, noticiaristas e programação musical, o lema é a interatividade permanente dos ouvintes. “A revolução está em curso. A cara do planeta está mudando. As formas hierarquizadas estão sendo substituídas pelas ações em rede”, afirmou o catalão Manuel Castells em “A Sociedade em Rede”, no qual fala de tecnopolis, uma nova morfologia social.
“... no final do século XX vivemos um desses raros intervalos na história. Um intervalo cuja característica é a transformação de nossa ‘cultura material’ pelos mecanismos de um novo paradigma tecnológico que se organiza em torno da tecnologia da informação.” (CASTELLS:1999:65)
O audiocast (na Internet e fora dele) provoca o retorno daquela liberdade esquecida do boom das rádios livres do final da década de 70. E o que o militante revolucionário Guattari fala delas pode ser aplicado ao nosso jeito de fazer rádio no século 21, que queremos aplicar na região com webradio, audiocast, mobcast, ou seja qual for o nome que venha a ganhar essa nova prática.
“A rádio livre é uma utilização inteiramente diferente da mídia rádio. Não se trata de fazer como a rádio dominante_ nem melhor, nem na mesma direção, que a rádio dominante. Trata-se de encontrar um outro uso, uma outra relação de escuta, uma forma de feedback e de fazer falar línguas menores.” Felix Guattari
OBJETIVOS: Aplicar estudos de produção de rádio em formato audiocast com moradores da região de cobertura da pesquisa no intuito de trazê-los para a discussão do áudio como forma de disseminação do conhecimento.
- avaliar se querem escolher a prioridade dos temas
- verificar se é possível oferecer nossa escolha de temas que acreditamos interessar a comunidade deles
- verificar como ouvem rádio, em que horários, quais as rádios que sintonizam, os programas mais ouvidos por eles
- verificar se é possível incitá-los (como sugestão) a ouvir programas e rádios com credibilidade
- avaliar se essas audições foram proveitosas
- mapear as rádios que “pegam” melhor na região
- oferecer tutoriais para confecção de rádios e audiocasts na Internet
- ajudá-los a decifrar esses manuais de procedimento de montagem de rádios e/ou programas na rede
- verificar se é possível formar grupos de interesses comuns para distribuirmos os assuntos por programas
- avaliar se estão com dificuldade de escolha dos assuntos, das paisagens sonoras que vão captar etc
- verificar se eles dão conta de dividir as funções de locutores, técnicos, sonoplastas, sozinhos ou se precisarão de ajuda
- orientá-los das medidas, durações apropriadas para os formatos dos programas radiofônicos
- fornecer material de apoio como bibliografia específica
- verificar como ocorre a audiência e o novo hábito de ouvir rádio, agora partindo de produções da própria comunidade
- avaliar se está sendo positiva essa experiência
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Finalidade:
Trata-se de uma pesquisa aplicada voltada para fins práticos, a idéia, após seus resultados, é fomentar a implantação de uma série de programas de rádio na Internet, para que os moradores produzam todo o conteúdo de sua programação e possam assim, ouvir uma produção radiofônica diferenciada.
Pesquisa interdisciplinar que cruzará informações tanto de um veículo digital quanto de um analógico, porém centrara sua produção na rede.
Técnicas:
Observação direta participante – pretendemos viver a situação em estudo, ou seja, ouvir rádios e produzir com os moradores audiocasts na internet, e ainda registrando as observações.
Observação indireta – a idéia é conduzir entrevistas com as pessoas envolvidas, registrando as respostas para embasamento do estudo.
Métodos de análise
Construção de um modelo – reconstrução de uma ferramenta de audição radiofônica
Nível de interpretação
O nível de interpretação será mais imediato
Identificativa – mostrar a existência de rádios e audiocasts na Internet (o que é?).
Descritiva – identificar a rádio na Internet, descrevendo-as, caracterizando-as, procurando mostrar como elas são
Conclusões e resultados
O levantamento de como são idealizadas, produzidas e mantidas essas rádios e audiocasts. Quem acessa e se utiliza desse novo rádio, fornecerá parâmetros para montarmos uma rádio e audiocasts na Internet tendo em vista se é viável ou não do ponto de vista da aceitação de seu conteúdo
Pesquisa preliminar:
Entrevistar moradores, líderes de associações de bairro e estudantes para verificar os interesses
No segundo passo, definimos em conjunto quais serão os moradores que farão parte do projeto como os novos radialistas
CRONOGRAMA
Os dois primeiros meses servirão para as entrevistas e montagens da equipe com o fornecimento dos primeiros textos a serem lidos e debatidos nas reuniões.
Os dois próximos meses serão dedicados a treinos intensos de produção radiofônica (locução, coleta de entrevistas, tomadas de sons etc.).
No quinto e sexto mês a equipe vai a campo para colher matérias para arquivo, entrevistas de stand by e toda sorte de banco de sons e material de gaveta
No sétimo mês audição minuciosa desse material e edição concomitante
O oitavo mês servirá para colocar primeiramente essa produção fria (mas não interessante) no ar para testá-la. Com isso os ajustes poderão ser feitos
O nono e o décimo mês é o início do trabalho com material quente, mas ainda da pauta da semana. A equipe terá suas tarefas ao longo da semana e produzirão material semanal (utilizando todos os formatos radiofônicos existentes)
Tanto o décimo primeiro mês e o décimo segundo mês serão dedicados à produção de material diário com assuntos do dia-a-dia. Ainda sob efeito de experimental.
O segundo ano da pesquisa aplicada faz a abertura do início da rádio e dos audiocasts dos moradores. A partir daí, os pesquisadores poderão investigar o efeito da nova audição, da produção coletiva e colaborativa e se surte o efeito de levar conhecimento à região provocando uma busca crescente pelos saberes.
Trata-se de outro processo da pesquisa, de avaliação do resultado da aplicação de uma nova forma de se fazer rádio. Mais livre e comprometida com a democratização da informação.
REFERÊNCIAS
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