QUESTÕES PARA DEBATE
Origem: WikiPos, a enciclopédia livre.
Declaração Final: Pedro Luiz
O caminho da Comunicação
O mundo atual, avançado da profecia de George Orwel - o "Grande Irmão" já ficou pequeno pequeno - está ao todo vapor rumo à Matrix. Ao todo vapor aliás, é expressão ultrapassada, estamos além da instantaneidade da luz elétrica, na própria relatividade do tempo, como diria Einstein, já vivendo o futuro no presente. O mundo avança por meios de tecnologias matemáticas computadorizadas e das grandes redes globais, acelera por meio de inteligências binárias, automatizando, ampliando, extendendo todo o conhecimento da humanidade. Mas a própria velocidade do conhecimento, disseminado, reciclado e ampliado esbarra na barreira do tempo, da relatividade de Einstein, nos limites da própria tecnologia. O limiar dos gigahertz por segundo, dos datawarehouses, já são insuficientes para absorver a exuberância da intelegência que se multiplica, a partir desses próprios sistemas conectados, interligados, que se dissipam a partir do meio, contaminam, absorvidos pela consciência do homem. Mas a própria consciência do homem também agora se projetam de volta ao mesmo, como uma maré oceânica furiosa, que ora transborda na América, ora na Ásia, a tempestade do copo do planeta água. Se a inteligência esbarra nos limites da memória e da velocidade dos processadores, incontida, incontrolável, ela flui para o próprio sistema, inundando as suas conexões, afogando os seus usuários com dados e informações. No mundo da consciência, da inteligência coletiva, da própria coletividade, só existe um caminho possível à ser trilhado, o compartilhamento: a comunicação peer-to-peer é único possível caminho, é o ponto de fuga para a sociedade em rede, que no futuro, hoje se desenha.
--MestrePedro Luiz 04:43, 7 Dezembro 2007 (BRST)
Democracia, multidão e guerra no ciberespaço
Henrique Antoun
Conceito de comunidades virtuais (1993, Rheingold) = comunidades em rede (ciberespaço) – debate sobre a democracia - nova forma de vida comunitária = valores comuns = troca de conhecimentos
TIC – Tecnologias informacionais de comunicação - CMC – Comunicação intermediada por computadores
John Aquilla e David Ronfeldt - Pesquisadores militares ligados a RAND Corporation – conceito guerra em rede – conflito surgido da sociedade contemporânea a partir da revolução tecnológica – ciberespaço
Guerra do controle = luta de alta intensidade conduzida por alta tecnologia militar, já a guerra em rede é a luta de baixa intensidade, grupos organizados na rede envolvendo as novas tecnologias da comunicação.
Discussão sobre comunidades virtuais; Perspectiva do poder de cooperação das organizações em rede - potencial de fogo em situações de conflito
Rede se confunde com a realidade política atual do império e da multidão – (multidão, rede, potência de ação, luta através da construção de redes).Grande alcance da informação como arma e disseminação da Internet para o grande público
1992 – Benjamin Barber – ensaio – responsabilizava o processo de comunicação, aliado a TIC, de tornarem o futuro da liberdade e da democracia na organização social do mundo uma impossibilidade
Ensaio – dividia o mundo contemporâneo em 2 tendências de igual força; Tribalismo e o Globalismo – ameaça a democracia e a cultura do ocidente devido as forças de desagregação regional e forças de achatamento da homogeneização global.
Dois futuros políticos possíveis, nenhum democrático; amplas faixas da espécie humana pela guerra e o massacre (cultura contra cultura); investida de forças econômicas (comercial – ex; http://www.mercadolivre.com.br)
1993 – Rheingold – resposta a Barber – comunidades virtuais capazes de recriar o tradicional sentido de participação – ciberespaço – democracia
Ferneback e Thompson – 1995 – negam que a CMC fosse capaz de criar “verdadeiras comunidades“, pois estas seriam comunidades de interesses.Cidadania no ciberespaço incapaz de resolver problemas democráticos e da renovação da vida ativa de uma verdadeira cidadania – fragmentação cultural e política – exclusão da maior parte da sociedade – redução de encontros face a face “.
Robert Puthan – 1996 – pesquisa - desaparecimento do capital social americana – TV, americanos - lazer (muito tempo dedicado) – Internet – fragmentador da cultura .Comunidade científica e comunidade de defesa – construção da TIC e da Internet
Comunidade científica – Nova forma de pensar as redes, comunicação – modo de constituir os seres e não apenas troca de mensagens
Arquilla e Rhonfeld – emergência de organização em rede – revolução da informação – transformação na estrutura do mundo contemporâneo. – redes modificam para melhor o perfil da sociedade (democracia eletrônica, corporações em rede e sociedade civil global). Surgimento do termo sociedade em rede. Redes – estruturas e processos que funcionam ou não. Sistema de gerenciamento mecânico (hierárquico e burocrático) e orgânico (estratificado) – rápidas mudanças.
Capacidade da forma orgânica viria de sua estrutura de controle, autoridade e comunicação em forma de rede
Fukuyama – rede – capital social – confiança – partilha de normas e valores. Construção de credibilidade fora e dentro da rede (Paulo Henrique Amorim)
Arquilla e Ronfeld – luta pelo futuro – grupos na rede – tempo e espaço – pequenos e dispersos – ex; L Qaeda.
Guerra em rede – dupla natureza; conflitos travados por terroristas, criminosos, extremistas e por outros ativistas da sociedade civil – combatente organizado em rede – comunicação e controle operacional
Arquitetura permite a comunicação – ligação entre os nós Para Arquilla deve-se compreender a rede através da análise organizacional
Duas práticas doutrinárias são importantes em uma rede de guerra; dar um funcionamento sem líder (fantasmas – indivíduos operam independentemente um uns dos outros); afluência – modo estratégico
Organização subterrânea da rede – 4 tipos diferentes de células codificadas e descentralizadas; célula de comando, combate, apoio e comunicação
Guerra em rede – organização sem líder – surpreendente eficácia – ataques de afluência – comunicação- organização – movimento – credibilidade – boatos – (ex; bb, PCC...)
Formas híbridas da rede; rede segmentada policêntrica ideologicamente integrada (SPIN); Segmentada - diferentes grupos; Policêntrica - muitos centros de direção ou líderes; Integrada - líderes e segmentos estão dispostos em um reticulado de sistemas e redes através de vários vínculos estruturais, pessoais e ideológicos
SPIN= movimenta rodopiando como um espiral de fluido, dinâmico e expansivo – esse formato permite o trabalho de criminosos
Arquitetura de complexidade – rede de teia de aranha – multi - eixos bem estruturados – grupos de redes interconectados, grande número de nós – um ou mais atores
Nestas redes a narrativa é feita por uma multiplicidade grupal – escrita por todos – Hipertextual (links) – conversação das comunidades virtuais – fala-se sem fim nem começo – comunicação ultrapassa a informação circulante.
Teias de aranha, auto – organizada, nós, ligações, comportamento.
Fred Evans – diferenças das vozes nas narrativas das comunidades virtuais; por um lado admite que a realidade das comunidades virtuais estaria confinada aos limites topológicos da Internet, sem poder fugir das estreitas fronteiras, por outro lado seria esse confinamento que levaria a democracia. Corpo multivozes metamorfoseando-se = Internet, comunidades humanas são trocas dialógicas entre vozes.
Internet – lado luminoso, novas vozes em seu discurso livre; lado negro, dominação de uma única voz ou discurso social
Movimento Zapatista – exemplo da segmentariedade das organizações em rede, exprimida através da integração ideológica de suas doutrinas. Movimento de ampla colaboração – envolveu o exército Zapatista de libertação nacional, as comunidades indígenas de Chiapas e diversas ONGs mexicanas e internacionais- Objetivo inicial, criar um exército de guerrilha, infiltrando – se na região de Chiapas rica em urânio, madeira e petróleo onde viviam diversas comunidades indígenas, pretendiam guerra tradicional, luta armada.
Resultado militar desastroso por tanto buscaram apoio das ONGs (queriam estimular uma forma de democracia no México) e outros membros da sociedade civil, comunidades indígenas (queriam direito de serem indígenas no capitalismo). Seus ativistas, porém não estavam interessados em conquistar o governo e nem ajudar algum grupo que viesse conquistá-lo. Guerra começou tradicionalmente e se transformou em uma rede de guerra social pertencente à era da informação.
Movimento Zapatitas= se estruturou em torno de uma rede de trabalho voluntário ativista organizado coordenada através da Internet de forma descentralizada
1998 – Inundanet (grupo de teatro eletrônico de distúrbios) = aplicação em java envia pedidos de recarregar para um sítio de Internet – convocar uma manifestação virtual onde uma multidão podia tentar paralisar um alvo usando esta aplicação (Zapatista Inundanet) - inaugurou o casamento dos hachers com o ativismo político (hacktismo)
Comunidade virtual no movimento Zapatista é uma comunidade real montada na esfera pública global do ciberespaço – capaz de construir a participação atual em ações comuns na vida de seus participantes e da sociedade civil mundial
Rede – importante entender, pensamento, cidadania, democratização, estrutura, comunidades, políticas, social... Globalização = transformou informação em arma = poderosas redes de guerra, paralisando o uso de armas.
Cláudia. Democracia, Multidão e Guerra no Ciberespaço.
Para Arquilla e Ronfeld, o poder de atuar em conflito das organizações em rede apaga o sentimentalismo de Thompson quanto à realidade das comunidades virtuais. Pontuo abaixo alguns exemplos para reflexão, segundo a visão de André Lemos e Henrique Antoun.
O professor André Lemos, da Faculdade de Comunicação da UFBA, considera que as novas ferramentas podem valorizar a individualidade, em detrimento das organizações políticas.
- A rede proporciona que vozes autônomas se pronunciem, sem passar por nenhum tipo de filtro. Nem partidos, nem editora, nada. A emissão sempre foi controlada por grandes complexos - lembra André Lemos.
- No caso da reserva indígena Raposa do Sol, em Roraima, o Conselho Indígena Missionário usou uma lista de e-mails para informar sobre o seqüestro de três missionários. Em poucas horas, todos ficaram sabendo da gravidade da situação.
O ciberativismo, explica Henrique Antoun,dispensa o contato face-a-face da militância tradicional, não exige perfil ideológico e tampouco obriga que o militante abdique de aspectos da vida pessoal em prol da causa. Apesar disso, o especialista tranqüiliza o manifestante tradicional, dizendo não crer na extinção das bandeiras e dos bonés.
- É uma idéia tola imaginar que alguém, sentado atrás de um computador e mandando e-mails, conseguirá alguma coisa. Aliando o virtual com a atuação real, no entanto, você amplifica o poder de alcance e o tempo de amadurecimento de idéias e movimentos. Consegue-se atingir um número maior de parceiros em tempo mais curto - confirma Antoun.
==> Quem foi que disse que a Internet é um espaço generalizado onde as pessoas colocam suas opiniões? Mauro Wilton, Eugênio Bucci? Não lembro mais, mas seja quem for, parece estar certo... Acho que essa lista de Questões para Debate reflete muito bem isso, cada um entra, põe uma opinião e ninguém debate nada. E quando alguém aponta para esse fato (eu), acaba sendo escrachado...--Pedro Luiz 10:57, 1 Outubro 2007 (BRT)
Blogs, Política, Comunicação viral, Novas tecnologias, Cidadania, Direitos ...
http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI1908685-EI4802,00.html
para quem tem um Bloguinho...vamos contra a vergonha nacional...
Liliane
==> Eu tenho um "bloguinho": http://pedroom.blogspot.com
E por falar em blog, eu dei uma navegada pelo blog do Prof. Amadeu, e lá tem uma "novela" muito interessante sobre o debate do XML da Microsoft, o assunto é pertinente a questão dos códigos e a novela tá emocionante, por isso eu recomendo a todos que naveguem no blog do prof, e no meu tb, e comentem tb...
--Pedro Luiz 09:03, 20 Setembro 2007 (BRT)
Mattelart, Castells, Habermas, Feenberg, Marcuse, Carlos Afonso
Com Mattelart a questão da língua volta à nossa discussão. A língua é um código, uma ferramenta cultural, uma técnica criada para produzir e transmitir conhecimento humano. Existem outras muitas ferramentas para a comunicação humana, com ou sem devices (instrumentos), podemos considerar as imagens, dentre muitas outras, também como códigos/ferramenta/técnica, assim como a língua oral ou escrita.
Muitos lingüistas comentam sobre a origem da língua escrita, e até mesmo Castells sociólogo da comunicação (A sociedade em rede, p 413) menciona a importância do alfabeto como uma “tecnologia conceitual” da sociedade humana.
Os códigos são ferramentas para expressar discursos humanos, e seu formato demonstra as intenções, motivos, ideologias (hábitos, atitudes, peculiaridades compartilhados por grupos humanos, e observando suas diversidades, variedades e conflitos – ver livro: Habermas e a escola de Frankfurt – de Raymond Guess) dentro das quais os códigos são criados.
Os discursos humanos estão pautados na economia e na desigualdade gerada por ela. Dessa maneira, quaisquer instrumentos utilizados na propagação de um discurso escrito, sonoro, imagético etc, de maneira massiva ou segmentada, interferem na conformação das sociedades humanas.
Os textos de Habermas (Técnica e Ciência como ideologia - A Herbert Marcuse nos seus 70 anos s 19/07/1968 ) e Feenberg (Marcuse ou Habermas: duas críticas da tecnologia) discutem em que palco deve ser concernida a técnica/tecnologia (eles não diferenciam os dois termos, e os usam um pelo outro a todo momento) no âmbito do estado ou do mercado, quando apresentam as características de composição da ciência tendo por base a racionalidade.
Habermas diz que “No capitalismo sempre se registrou a pressão institucional para intensificar a produtividade do trabalho por meio da introdução de novas técnicas. (...) Isso modificou-se, na medida em que a evolução técnica é realimentada com o progresso das ciências moderna. Deste modo, a ciência e a técnica transforma-se na primeira força produtiva e caem assim as condições de aplicação da teoria marxiana do valor-trabalho. (...)a fora de trabalho dos produtores imediatos tem cada vez menos importância.” Bem, se assim o fosse, a Nike não precisaria contratar empregados na Indonésia, ou sei lá mais em que buraco, pois o bem maior do capital, o lucro obtido por meio da mais valia entre valor-trabalho não existe mais.
Feenberg, contrapondo Habermas a Marcuse diz que “Marcuse adota uma direção similar” ao pensamento marxista “ao criticar a noção weberiana de racionalidade administrativa, um aspecto fundamental da racionalização. A administração no domínio econômico pressupõe separar os trabalhadores dos meios de produção. Tal separação eventualmente modela também o projeto tecnológico”
Aqui é pra vc Plínio...!!! “O que está em jogo é a arquitetura da “rede” como base de uma nova ordem mundial. Mas quem controla a rede ? Na disputa, o sentido das palavras desempenha papel decisivo. Pois quem domina as palavras domina as construções mentais que induzem as políticas” Por Armand Mattelart – no texto mencionado pelo Plínio – e Prof Sergio Amadeu, em outros momentos...
Em certa medida, Mattelart faz um breve relato de como a questão da “Comunicação” e do direitos a “Comunicação” sai da esfera dos governos e é transportada para a esfera do mercado, da economia. Em outra certa medida, Lessig tem razão, em parte, quando diz que “o código é a lei”. No entanto, o código é a lei nas sociedades aonde a desigualdade econômica é menos hostil (países desenvolvidos, de primeiro mundo...etc outras designações ufanistas...) e de qualquer maneira, acredito que lei importante é para cidadãos ricos...demais leis são para demais cidadãos... Ou seja, TODOS OS DATAGRAMAS SÂO IGUAIS PERANTE A REDE ! Carlos Afonso - , até quando a Telefônica permitir...
==> O código é, ou sempre foi, a lei?--Pedro Luiz 19:08, 16 Setembro 2007 (BRT)
Coloco aqui algumas questões:
Em que instância devemos discutir os direitos de um cidadão comunicar e ser comunicado?
==> Na instância epistemológica comunicacional, sem fugir muito da atualidade, se não vira estudo de Sociologia ou Direito talvez, quais outras instâncias mais? Não sei.--Pedro Luiz 19:08, 16 Setembro 2007 (BRT)
E em que medida esse direito está, ou não, atrelado ao suporte material que ele, o cidadão, tem para fazê-lo?
Um direito existe quando ele não é um fato para todos os indivíduos de uma sociedade? (entendam como fato o acesso, a condição material que alguém tem de realizar seu direito, contemplá-lo e se fazer usuário dele e de suas benesses).
- )
Lili
Mattelart e o direito na rede
"Tornaram-se evidentes as diferenças de fundo que dividem o projeto plural de construção da “sociedade do saber”, por todos e para todos, tanto na esfera da produção quanto da cirdulação, e o projeto unívoco e abstrato de uma “sociedade global da informação”, que esquece as relações de força entre as culturas e as economias. É o que confirmam as contribuições desses novos atores do espaço público nos debates da União Internacional das Telecomunicações (“sobre a sociedade da informação”) e da Unesco (sobre a proteção e promoção da diversidade cultural). Dois princípios articulam o projeto crítico às lógicas de mercado promotoras da patrimonialização. Por um lado, a filosofia (balbuciante) dos bens públicos comuns. Esses bens dizem respeito não somente à educação, à informação, ao saber e à cultura, mas também ao espectro das freqüências de radiodifusão, à saúde, à água, ao meio ambiente etc – todos estes domínijos que deveriam constituir “exceções” à lei do livre comércio, “coisas” às quais as pessoas e os povos têm direito, produzias e repartidas em condições de liberdade e eqüidade, que são a própria definição do serviço público, sejam quais forem os estatutos das empresas que garantam essa missão. Para o serviço público, os direitos humanos e ecológicos universais são a regra; as instituições internacionais legítimas, o aval; a democracia, a exigência permanente; e o movimento social, a fonte. Do outro lado está “o direito à comunicação”. Ironia da história, trata-se, aqui, da volte de um conceito lançado em 1969 por Jean d´Arcy, então diretor da divisão de rádio e serviços visuais do Serviço de Informação da ONU, no momento em que tomava forma, na Unesco, o debate sobre as liberdades do campo da informação. Em artigo publicado na revista da União Européia de Radiodifusão (UER), D´Arcy então afirmava: “A declaração Universal dos Direitos do Homem, que, há 21 anos, estabeleceu pela primeira vez, em seu artigo 19, o direito à informação, terá de reconhecer, um dia, um direito mais amplo: o direito do homem à comunicação (...). Pois, hoje em dia, os povos sabem, e, se são mais difíceis de governar, é talvez porque o instrumento de comunicação, de informação e de participação que lhes oferecemos não corresponde mais ao mundo atual e ao avanço de sua técnica”. Ao longo da década seguinte, iria se desenvolver na Unesco a idéia da caducidade do modelo vertical do fluxo de sentido único para a informação, da recusa de uma comunicação da elite para as massas, do centro para a periferia, dos ricos para os pobres. A partir dos anos 1980, as desregulamentações descartaram o conceito ainda embrionário. Mas, desde 2001, os quatro princípios-chave que fundamentam esse “direito à comunicação” – liberdade, diversidade, acesso, e participação – estão no centro dos canteiros abertos pelo movimento social sobre a diversidade das expressões culturais e midiáticas. È a grande batalha atual". (trecho do artigo de Armand Mattelart extraído do Le Monde Diplomatique Brasil - agosto de 2007) - [Plínio]
=> Complicada essa citação, num entendi nada, por isso num dá para opinar... Só acho que direito é direito e tem que ser cumprido, e direito na rede é assunto cheio de pano pra manga. Por outro lado, dá para perceber a relevância do assunto, que será ainda muito debatido, e com outras e importantes leituras de Matellart --Pedro Luiz 22:28, 11 Setembro 2007 (BRT)
A Esfera Pública do Google
"Anualmente, os criadores do Google reúnem e misturam especialistas de todas as áreas e pedem a eles para falar e discutir com uma platéia composta de gente do mercado vinda de várias partes do planeta. Realizam essa discussão num encontro chamado Zeitgeist, palavra alemã que significa 'o espítiro do tempo'(...). O Google misturou gente da nova e da velha mídia, criou cumplicidades e opôs o mais novo profeta ambiental (...) Al Gore (...) ao tradicional profeta da guerra (...) Collin Powell(...). (...) passou pelo púlpito de um auditório transformado em auditório e provido de um telão, onde (...) tecnólogos, presidentes de empresas da velha e da nova mídia, publicitários, marketeiros, políticos, jovens empreendedores e pesquisadores, (...) o cientista (...) da Nasa (...) (...) como Hans Rosling (...) o qual mostrou ser possível diminuir a pobreza até 2015 (...)". Texto retirado do artigo do Prof. Caio Túlio Costa da Facasper, publicado na ´"Líbero" nº18 (Dez/2006), "Por que a nova mídia é revolucionária?"
==> Isso é ou não é uma esfera pública? E essa, poderíamos dizer, que é uma esfera pública que pode mesmo exercer alguma influência nos rumos da sociedade, global inclusive. Ou não? --Pedro Luiz 17:42, 3 Setembro 2007 (BRT)
Pedro e as Profecias de George Orwell
O Wiki segue uma característica que encontramos na clássica obra de Geroge Orwell, dá para editar o passado, apagar e re-escrever o que já havia sido publicado, e essa é apenas umas das características da Internet e do mundo atual reveladas pelo profético autor, muitas que se vocês pensarem (para quem leu o livro), remetem diretamente a algumas questões aqui debatidas e com as leituras indicadas. Um exemplo são as dúvidas que coloquei em relação a este Wiki e foram agora deletadas, mas sem problemas, pois as respostas já estão agora disponíveis no link WikiPos:Ajuda deste Wiki.
PS: a medida que as dúvidas de edição forem sendo sanadas, elas serão deletadas desta página e dispostas no menu ajuda, para que tal espaço centralize as dúvidas, turoriais e FAQs deste Wiki. Quando pintarem novas dúvidas, elas então podem ser colocadas aqui no tópico "Dúvidas na edição deste Wiki". --Pedro Luiz 19:52, 31 Agosto 2007 (BRT)
Cláudia - Artigo de Muniz Sodré
Indico a leitura do artigo de Muniz Sodré,publicado na última quarta no Observatório da Imprensa. O autor destaca três situações, dentre as quais o caso do jornalista que fotografou a troca de e-mails entre ministros do STF durante o julgamento da denúncia do MP contra os envolvidos no "mensalão". Dividem-se as opiniões: algumas são de elogio ao feito jornalístico, outras condenam a "invasão de privacidade". Sodré pontua que todos estamos sob o império do olho armado pela tecnologia e assinala: "Este é o espírito do tempo em que vivemos e, em princípio, não haveria como julgá-lo à luz de categorias morais de séculos passados. No entanto, é preciso considerar que se as múltiplas tecnologias da informação e da comunicação podem ser interpretadas como um alargamento tecnológico do espaço público – portanto, como uma suposta ampliação do funcionamento democrático –, não se segue necessariamente que tais tecnologias possam ser tidas como responsáveis pela construção ou pela consolidação de velhas instituições democráticas no real-histórico". Na formulação de Habermas, uma opnião pública só pode constituir-se sob as condições da democracia de massa do Estado social-democrático. Questiono se as considerações de Sodré são semelhantes ao pensamento de Habermas, quando este afirma que os meios de comunicação de massa podem desempenhar um papel mais político e positivo e a audiência exercer julgamento crítico, a partir do desenvolvimento de esferas públicas mais autônomas, que restrinjam o poder da mídia. Ass: Cláudia
==> Partindo da veracidade do colocado por Sodré acima e pensando no Habermas, o que eu acho possível dizer é que realmente a Internet tem como meio tecnológico e como mídia, a possibilidade de ampliar a esfera pública, temos exemplos disso. Mas ela ainda, como diz Sodré, ela ainda não tem esse poder institucional como um órgão que expressa a opinião pública. Assim, pensando no Habermas, poderíamos dizer que a Internet tem influência na construção de uma esfera pública mas ela ainda estaria numa fase de desenvolvimento, ainda não é algo permanente no âmbito das sociedades e mundo globalizado. Pelo menos é o que me parece... --Pedro Luiz 16:21, 11 Setembro 2007 (BRT)
Ester e a questão da Língua Materna
A questão colocada pela Tatiana sobre a língua materna é ampla e extremamente importante. Recebi uma entrevista através do boletim da RIO MÍDIA [1] sobre o projeto Multiculturalismo no Mundo Digital [2] realizado pela UNICAMP e outras 13 instituições de ensino de 10 países falantes do português, em sistema de pesquisa colaborativa, com divulgação dos resultados no site. O objetivo do projeto é simples, mas nem um pouco fácil: “Fortificar a presença da Língua Portuguesa e sua circulação na web e abrir as portas do mundo digital para as comunidades de línguas minoritárias”.
Vale a pena ler... copio alguns trechos que julguei pertinentes:
"A perspectiva é a seguinte: caso não nos organizemos para produzir conteúdo de qualidade no mundo digital em Língua Portuguesa,(e incluo softwares na noção de conteúdo no espaço digital), em breve nossos jovens estarão desenvolvendo o bilingüismo para acessar conteúdos e funcionalidades que não estarão disponíveis em Língua Portuguesa. Os filhos deles, nossos netos, já trabalharão imediatamente nesta outra língua. Se fecharmos os olhos para o mundo digital, não haverá incrementação de recursos e estaremos dependentes das informações geradas em outras línguas, por diferentes tradições e culturas. E dentro desta perspectiva sombria, a Língua Portuguesa não assumirá papel primordial na chamada Sociedade da Informação. A terceira geração, nossos bisnetos, não reconhecerão o português como uma língua de saber, de conhecimento. É neste sentido que queremos evitar que ela "desapareça" do mundo digital."
"A Língua Inglesa domina o universo digital. No entanto, observa-se que a Língua Portuguesa ganha grandes espaços em algumas comunidades, como o Orkut e o Second Life, que apresentam porta de entrada em Língua Portuguesa."
"Acho que a economia lingüística nos chats, mails, torpedos e o que chamo de função "copiar-colar" provocam duas mudanças bem fortes que podemos sentir na relação com a Língua Portuguesa. Uma se apresenta na própria materialidade da língua que agora, no espaço eletrônico, se dá com o teclado, as letras funcionam como caracteres. A outra está ligada às transformações que observamos na produção de conhecimento, com o advento do trabalho das redes colaborativas, em contrapartida ao trabalho clássico dos grupos de pesquisa. Em linhas gerais, são transformações semelhantes à entrada da imprensa na Idade Média, e em outra escala claro. Os franceses brincam que com a presença da internet os intelectuais trocaram a torre de marfim pela torre de controle. De certa forma, a grande preocupação é como controlar o acesso a conteúdos (produção lingüística), as mudanças lingüísticas provenientes da natureza do texto eletrônico, o tempo de atenção dedicado ao mundo digital (prática lingüistica no digital), enfim como administrar as mudanças provenientes da interação com a rede mundial de computadores e, talvez, principalmente, no caso dos jovens, como garantir que se trata de um conteúdo de qualidade (textos fidedignos)."
Dados: O conteúdo em português na web é de 7%. Somos mais de 240 milhões de falantes de português no mundo real. Apenas 18% da população brasileira têm acesso à internet. Esterfer 18:19, 24 Agosto 2007 (BRT)posted by Ester
==> Seniceramente, não vejo problema algum nisso. Qual o problema do inglês dominar as comunicações na Internet? Pessoas falam em "dominação da língua inglesa", e daí? Agente fala português porque? Não seria pq fomos dominados pelos portugueses? A nossa lingua materna não é fruto de uma dominação, o próprio título da lingua remete ao que? ao Brasil? Devemos então voltar ao tupi-guarani? Inglês é a lingua mais fácil de ser aprendida e fácil de ser utilizada como lingua internacional, então pq ficar discutindo isso, que se adote o inglês e assim partamos para pensar em outras questões mais relevantes ao que tange a Internet. --Pedro Luiz 17:07, 1 Setembro 2007 (BRT)
Pedro: Imagine...
Sobre a comunicação, a Internet e a globolização, coloco a seguinte passagem filosófica para discussão:
"(..)Imagine there's no countries, (...) (...) Imagine all the people (...) living life in peace... (...) A brotherhood of man, imagine all the people sharing all the world... (...) I hope some day you'll join us, And the world will live as one (...)" - John Lennon
A minha colocação é simples: esse "sonho" utópico de John Lennon, passa por algo que o próprio Lennon não havia "imagined": o mundo globalizado e conectado pela Internet. Em suma, sem a Internet hoje é impossível se pensar, mesmo que utópicamente, no sonho de Lennon. Estou certo, ou sou eu um sonhador igual a Lennon? --Pedro Luiz 19:52, 31 Agosto 2007 (BRT)
==> O que John, Pedro, Maria, José e muita gente mais têm em comum é o sonho. Penso que sim, a internet é uma possibilidade de concretizar essa imaginação, porém não é possivel prever nada nesse sentido. As relações humanas muitas vezes caminham por meandros que surpreendem a ciência social, e a criação de uma real cultura de paz ainda é utópica. A internet é uma ferramenta de integração, de experimentação de novos contatos, e isso expande os horizontes, porém é característica social se unir em torno de identidades. E essas identidades coletivas, segundo Castells, criam as comunidades. Na sociedade em rede vemos crescer comunidades abertas ou fechadas, enfim, se a unificação imaginada por Lennon passa por esse processo, talvez ainda não possamos afirmar. (plínio)
Dúvidas na edição deste Wiki
Como criar âncoras?
Como ativar o recurso de envio de imagens e arquivos de som/vídeo (carregar arquivo)?
Sugestão: após responder essas questões, colocá-las no menu ajuda.
--Pedro Luiz 19:52, 31 Agosto 2007 (BRT)
Ester e o ministro-hacker
Com o álbum BANDA LARGA, nosso ministro-hacker continua usando sua arte para louvar a vida digital, a conexão planetária (o sertão vai virar mar, e o povo vai "navegar"), e inovando no fomento da cultura remix com suas próprias criações. [[3]] Pergunta: a cultura é fator componente da cidadania digital? a cultura remix é um agente desta cidadania?
==> Você que é cineasta, ou seja uma profissional da cultura, é que precisa contar para nós... Eu não só diria que é, como diria que a cultura é um dos pilares fundamentais da cidadania e, indo na balada do Gil, é um dos principais vetores da expansão digital. Legal o site do Gil, curti, mas não vou aos shows... --Pedro Luiz 19:52, 31 Agosto 2007 (BRT)
Tatiana e o Policarpo Quaresma
"Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se vêem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua; sabendo, além, que, dentro do nosso país, os autores e os escritores, com especialidade os gramáticos, não se entendem no tocante à correção gramatical, vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmicas entre os mais profundos estudiosos do nosso idioma – usando do direito que lhe confere a Constituição, vem pedir que o Congresso Nacional decrete o tupi-guarani, como língua oficial e nacional do povo brasileiro". Trecho; Policarpo Quaresma de Lima Barreto.
Pergunta: A língua materna é um elemento de construção de cidadania? Comente o texto acima relacionando com a cidadania na web. Ela existe?
==> Sim, ela existe. Quanto a língua materna, ela tanto pode ser um instrumento de dominação quanto de libertação, depende do uso que se faz dela. --Pedro Luiz 19:52, 31 Agosto 2007 (BRT)
Ester, colocação sobre Habermas
Segundo HABERMAS, temos que:
Do mesmo modo que o mundo da vida tomado globalmente, a esfera pública se reproduz através do agir comunicativo, implicando apenas no domínio da linguagem natural; ela está em sintonia com a compreensibilidade geral da prática comunicativa cotidiana. (Mudança estrutural da Esfera Pública, 1984)
Na esfera conectada, particularmente, temos 2 tipos de linguagens que dificultam a construção da cidadania e do conceito de "esfera pública". Em primeiro lugar temos o predomínio da língua inglesa nos fluxos comunicacionais em rede, graças à hegemonia estadunidense na propriedade dos top sites, softwares, ferramentas, etc. Querendo ou não, isso acaba limitando o acesso à informações privilegiadas de grande parte da população conectada. Em segundo lugar, mas não menos importante, temos a "linguagem dos códigos" (LESSIG), ou seja, a linguagem que define os protocolos e padrões de comunicação, ou seja, o grau de liberdade do cidadão conectado e o seu acesso à informação. Assim como Lennon, Policarpo Quaresma era um sonhador! Seria lindo se por um decreto, tivessemos nossos problemas com as linguagens da rede resolvidos. Porém, creio que as restrições das linguagens, principalmente no caso dos códigos, faz parte de uma estratégia de manutenção da hegemonia, no intuito de impedir a construção de uma esfera pública ativa.
==> Devemos então, se quisermos criar uma esfera pública globalizada, adotar o inglês como lingua comum, pois é a lingua internacional. Na linguagem dos códigos da Web, o HTML e o XML podem cumprir essa função, padrões livres. --Pedro Luiz 19:52, 31 Agosto 2007 (BRT)
Plinio e o Nicholas Negroponte
"A medida que formos nos interconectando, muitos dos valores nacionais cederão lugar àqueles de comunidades eletrônicas maiores ou menores. Nós nos socializaremos em ´bairros digitais´, nos quais o espaço físico será irrelevante e o tempo desempenhará um papel diferente". (Nicholas Negroponte - Being digital)
Segundo a colocação que Negroponte fez em 1995, os valores de construção das identidades nacionais cederiam espaço a um universo de novas possibilidades, em que a noção de fronteiras não fizesse mais tanto sentido, assim como a relação entre espaço/tempo. Realmente a comunicação mediada por computador abriu caminho para uma integração multicultural sem precedentes. Isso significa o fim da idéia de estado nação? Não fará mais sentido o uso de palavras de ordem que incitem o nacionalismo exacerbado dos militares por exemplo? Pátria amada salve, salve. Adeus povo heróico? (Plínio)
==>Acredito que a idéia de Estado Nação já está enfraquecendo devido aos meios de comunicação em especial a internet, se vai acabar ou não só o futuro nos dirá, mas é certo que a população está convivendo com a globalização, que invade fronteiras, modifica costumes e abre novas dinâmicas, dificultando o controle estatal, fazendo com que o capitalismo aumente a individualização do lucro. Parece que o Estado nação já não é mais o responsável pelo seu próprio destino. A economia e as novas tecnologias encontram-se globalizadas tornando impossível o isolamento do Estado nação. É impossível controlar dinâmicas que extrapolam seus limites territoriais, tornando seu poder de decisão reduzido. A questão do nacionalismo tem que ser discutido desde antes da internet, pois a televisão tem papel fundamental na construção da idéia de nacionalismo. Como exemplo podemos citar Gabriel Priolli no artigo Antenas da Brasilidade, pois iniciou o texto fazendo uma afirmação de que o hino nacional deveria ser “Aquarela do Brasil”, pois as coisas seriam mais verdadeiras entre as pessoas. Faz um questionamento; “Em lugar do braço forte e de peito que desafia a própria morte, deveria ser a própria morte que desafia o nosso peito? O hino não deveria ser visto como um chamamento ao combate, que se deve ouvir de pé, em posição de sentido, com a mão cobrindo o coração, deveria espalhar feito um batuque vagaroso, convidando a audiência a mexer as cadeiras”. A TV acabou decretando qual é o nosso hino nacional, e dessa forma mais uma vez “contribuindo” para a formação da identidade nacional imaginária, porém, temos que ter a consciência de que essa música não é gerada da realidade pura, mas sim, um rótulo confeccionado ideologicamente. Acredito que essa idéia pode ser aplicada a web, já que está sendo utilizada cada vez mais, ou seja, formará novos conceitos de nacionalismo e formação de comunidades virtuais,a convivência em grupo traz a necessidade de leis, leis para compor “espaços” físicos ou virtuais. A cultura é baseada na economia que é fundamentada pela industrialização, esta influenciada por outras culturas como por exemplo os filmes norte americanos, ou seja, já estamos moldados a “consumir” outras culturas.(Tatiana)
==> Mas se queremos rumar pro sonho de Lennon, a idéia é essa mesmo, precisamos então construir uma esfera pública conectada e globalizada, inglês como lingua de comunicação internacional. Estamos caminhando para isso, assim espero.--Pedro Luiz 19:52, 31 Agosto 2007 (BRT)
