Seminário "Comunicação: ciência, arte ou saber?"

Origem: WikiPos, a enciclopédia livre.

FACULDADE CÁSPER LÍBERO
Coordenadoria de Pesquisa e Pós-Graduação
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Comunicação
Grupo de Pesquisa: Comunicação, Recepção e Identidade
Prof. Dr. Laan Mendes de Barros / Prof. Dr. Dimas Antonio Kunsch
Seminário: “Comunicação: Saber, Arte ou Ciência?” 25, 27 e 28 de Agosto de 2007
Relatório para obtenção de crédito de Mestrado: Pedro Luiz de Oliveira Costa Bisneto R.A. 07000979 pbisneto@uol.com.br

Conteúdo

A Epistemologia na minha vida

Por Pedro Luiz de Oliveira Costa Bisneto[1]

A palavra epistemologia apareceu de forma definitiva na minha vida durante a aula de “Metodologia da Pesquisa em Comunicação[2]”, quando o Professor Laan mencionou-a ao fazer referência às instâncias básicas para o desenvolvimento de uma pesquisa científica dentro do âmbito do curso strictu sensu em “Comunicação na Contemporaneidade” oferecido pela Faculdade Cásper Libero – a FCL, onde sou um iniciante à pesquisa. As instâncias, as quais se referia o Professor Laan, sendo estas os quatro tópicos fundamentais da pesquisa, eram o seu caráter epistemológico, teórico, metódico e técnico. Tal palavra quando mencionada, como viria mais tarde o mesmo professor comentar durante a abertura do seminário a qual este relatório refere-se[3], causou estranheza e até medo, soando como algo extremamente complexo, intangível, um assunto não muito atraente dentro da Comunicação.

Após este impacto inicial causado pela palavra epistemologia, busquei saber mais sobre ela, assim o fiz através de algumas fontes. Utilizei um “Dicionário de Termos Comunicacionais”, enviado por um colega estudioso da Universidade Metodista, onde na definição do termo consta: “A epistemologia é uma teoria do conhecimento. Concerne aos conceitos de conhecimento, crença, justificação, confirmação, falsificação e explicação”. Fica claro então que epistemologia é uma área que estuda o conhecimento, mas ao que se concerne, conforme está colocado, não fica muito claro que conceitos de conhecimento são estes, parecem muito amplos, a definição acima não foi suficiente para elucidar plenamente o que é a “teoria do conhecimento”, a explicação até então, não parece ir muito além da própria etimologia da palavra, ou seja, estudo do saber ou conhecimento. Continuei buscando novas informações, em um dicionário inglês-português[4], encontrei: “estudo da origem, natureza e limites dos conhecimentos científicos”, e “the science of the methods and validity of knowledge”. Com essas duas definições, fica claro que Epistemologia é uma ciência cujo objeto de pesquisa é o conhecimento, podendo referir-se a diversas áreas, ou campos do conhecimento, é portanto, um campo de pesquisa como outro qualquer, apenas o objeto que estuda é que pode variar conforme o campo de conhecimento que foca. Não é, como pode parecer, um estudo do estudo ou um metaestudo, e sim, um estudo cujo foco é o conhecimento, este por sua vez com seus próprios estudos e teorias. Assim, entende-se que todos os campos de estudo, sejam estes de humanas, biológicas, exatas, de todas as ciências, todos têm o seu próprio conhecimento, o seu próprio saber, de tal forma que existe o campo do saber da biologia, da ecologia, sociologia, psicologia, física, matemática e por aí em diante, onde teremos por fim, a Comunicação.

Isto entendido, evidencia que o caráter epistemológico de uma pesquisa em Comunicação está no fato do conhecimento por ela estudado se alojar dentro do campo do saber comunicacional, mesmo que a pesquisa precise buscar conhecimentos de outras áreas, o saber que dela emana e a qual ela refere-se, é, e deve ser, o saber do campo comunicacional. Voltando ao início de toda essa investigação, onde a dúvida fundamental estava no “caráter epistemológico da minha pesquisa de mestrado”, pensando na área de concentração do mestrado da FCL e conforme está colocado em artigo que apresenta o referido curso e seu campo de estudo, escrito pelo Professor Laan – texto também de suma importância na busca do entendimento do que vem a ser Epistemologia da Comunicação, onde este observa que o campo epistemológico da “Comunicação na Contemporaneidade” leva em conta as seguintes questões:

“(...) a questão do tempo; no caso, o tempo presente. Também, evidencia a natureza dinâmica de nosso objeto de estudo, que tem em sua constante mutação um elemento essencial de sua existência. Ainda, a própria relação entre sujeito e objeto de pesquisa carece ser repensada no contexto da contemporaneidade” (BARROS: Junho 2006, 11).

Essa passagem então, esclarece qual o foco epistemológico que, além do próprio saber do campo comunicacional como um todo, é o foco do curso de mestrado da FCL, onde temos objetos que fazem parte do tempo presente e todo o dinamismo que isso implica, objetos do presente e que permeiam inclusive as relações com o sujeito, pois estes são contemporâneos.

Sabendo o que é epistemologia e qual o caráter epistemológico da área de concentração da minha pesquisa de mestrado, temos a questão inicial aqui resolvida, a única dúvida agora é: qual é exatamente o saber do Campo Comunicacional?

O Saber Comunicacional

Após ler diversos textos do Professor Luiz Martino, onde este aborda a questão da Epistemologia da Comunicação, e após participar do seminário “Comunicação: saber, arte ou ciência?”, onde o professor mencionado foi o palestrante principal, além de outros convidados estudiosos da área, ainda assim, é difícil saber exatamente qual é o saber comunicacional. Mas a dúvida é justificável e pertinente, pois a definição dos limites do saber comunicacional e de quais são os saberes comunicacionais, é algo que ainda não existe de forma conclusiva. A Epistemologia da Comunicação é uma área que ainda estuda qual é o seu saber, não possui ainda respostas imperativas. Os estudos do professor Luiz Martino apresentados durante o seminário e os textos por ele desenvolvidos, mostram as pesquisas que têm sido desenvolvidas no campo comunicacional, incluindo os estudos dele próprio, a fim de elucidar esse “enigma”: a pergunta lançada ao final do parágrafo anterior, e ainda: quais os limites do campo do saber comunicacional?

Apesar de não termos a resposta definitiva para essas questões, muita coisa pudemos compreender a respeito da Epistemologia da Comunicação, o que nos dá ótimas pistas para rumarmos ao âmago do saber comunicacional. Vale a pena então, discorrermos um pouco sobre o que foi estudado, iniciando pelos textos do Professor Luiz Martino.

No artigo “De qual comunicação estamos falando?[5]”, o Professor Luiz Martino coloca a seguinte pergunta: “O que é comunicação?” (2001, 11). A busca à resposta para esta pergunta levará diretamente a questão epistemológica do assunto. Martino inicia essa busca a partir da etimologia do termo “comunicação” e na consulta de dicionários. Nos dicionários encontra sete definições:

“1. Fato de comunicar, de estabelecer uma relação com alguém, com alguma coisa ou entre coisas;
2. Transmissão de signos através de um código (...)
3. Capacidade ou processo de troca de pensamentos, sentimentos, idéias, ou informações através da fala, gestos, imagens, seja na forma direta ou através de meios técnicos;
4. Ação de utilizar meios tecnológicos (comunicação telefônica);
5. A mensagem, informação (...)
6. Comunicação de espaços (...), circulação, transportes de coisas (...)
7. Disciplina, saber, ciência ou grupo de ciências” (2001, 15).

É especificamente o tópico número sete que se refere à Comunicação e seu caráter epistemológico, onde Martino discorre sobre o assunto e destaca: “(...) a Comunicação é um saber (...) designa uma série de saberes que se debruçam sobre certa ‘matéria’ que lhes é comum (...)” (2001, 20). A Comunicação então, é uma área de qual deriva um saber epistemológico, possui o seu saber, porém, já nesta afirmação, pode-se observar que o saber comunicacional possui diversos saberes que entre si possuem características comuns, sendo estes, os saberes da Comunicação. Mas quais são esses saberes? Esses saberes, na verdade, são o primeiro obstáculo, ou a primeira consideração que Martino irá fazer sobre a questão da Epistemologia da Comunicação, a questão da interdisciplinaridade: o saber comunicacional estaria disperso por várias disciplinas que estão ligadas a saberes de outras disciplinas que não são da Comunicação. O caminho para encontrarmos o exato saber comunicacional passa pelo entendimento dessas disciplinas, como coloca Martino:

“(...) o sentido de comunicação que buscamos deve ser procurado a partir de uma análise das disciplinas que estudam o processo de comunicação. Cabe, então, empreendermos um segundo passo, procurando agora neste domínio específico das humanidades, com a finalidade de encontrar o lugar da comunicação em relação aos outros saberes constituídos” (2001, 25).

Esta busca a qual se refere Martino, será a questão que ele debate no artigo seguinte que analisaremos, artigo que inclusive, é uma seqüência deste que comentamos até aqui, intitulado “Interdisciplinaridade e o objeto de estudo da Comunicação[6]”.

Neste artigo, Martino destaca o crescimento dos modelos epistemológicos durante o século XX, e que dessa forma a Comunicação se constituiu como saber próprio a partir de problemáticas oriundas de outras ciências humanas entre as quais a Sociologia e a Filosofia (2001, 27). O problema do saber do campo comunicacional então, está no fato de não se enxergar claramente qual o seu objeto próprio de estudo, e também no “(...) fato que os processos comunicativos atravessam praticamente toda a extensão das Ciências Humanas” (2001, 28). Neste cenário então, o saber comunicacional, sem objeto claro, estaria perdido ou disperso entre vários outros saberes humanísticos, o que fica bem claro quando Martino coloca uma série de questões:

“(...) é preciso colocar seriamente o problema das relações da Comunicação com as outras (...) Ciências Humanas, e perguntar (...) em que medida a análise do discurso não é obra do filólogo, do literato ou do lingüista? Em que medida a formação da opinião pública e do conflito ideológico não pertencem ao domínio da Sociologia ou das Ciências Políticas e seus especialistas? Ou, em que medida o estudo do signo não é simplesmente um trabalho de uma psicologia geral (...) qual a especificidade do trabalho daquele que estuda a Comunicação como disciplina autônoma?” (2001, 28-29).

Vemos até aqui que para compreender o que vem a ser o saber comunicacional, se passa por uma jornada de muitas dúvidas e questionamentos, e na busca de respostas para essas dúvidas, será onde Martino encontrará quais são os objetos de estudo que concernem ao campo da Comunicação. A própria interdisciplinaridade não é o obstáculo maior na compreensão do saber comunicacional, e sim a falta de um objeto de estudo específico: “Trata-se então de pensar uma interdisciplinaridade que seja o fruto de uma exigência do próprio objeto, o que pressupõe a explicitação e a definição deste objeto” (2001, 29). Assim, Martino segue discorrendo a respeito de diversos saberes ligados a Comunicação e seus estudos, onde ele critica alguns aspectos de tradicionais escolas como a do funcionalismo americano (2001, 29) e da Escola de Frankfurt (2001, 30), por onde o objeto comunicacional estaria pouco ou totalmente indefinido. Vai ser nos estudos da cultura de massa que aparecerá a primeira pista do objeto comunicacional, onde Martino enfatiza: “Os processos comunicativos no interior da cultura de massa constituem certamente o objeto da Comunicação” (2001, 31), mas este objeto estaria atrelado a condicional de estar vinculado às teorias comunicacionais: mas quais são essas teorias comunicacionais? Esta é outra pergunta que também se faz necessária para elucidarmos as fronteiras do saber comunicacional e que merece um olhar atento, e é inclusive um dos alvos de pesquisa de Luiz Martino em outros estudos e artigos ligados às questões relativas a Epistemologia da Comunicação.

A questão dos processos comunicativos no âmbito da cultura de massa, ainda requerem uma problemática quanto a sua pertinência em relação ao “1) problema filosófico da comunicação enquanto fundamento do homem; 2) o problema histórico da tomada de significação dos processos comunicativos a partir da emergência de um tipo de organização coletiva determinada” (2001, 31).

Quanto ao primeiro problema levantado por Martino, ele considera um estudo de Friedrich Nietzsche, onde o famoso filósofo destaca que “a consciência é uma rede de comunicação entre os homens” (2001, 32). Então, Martino aponta que os estudos comunicacionais sempre devem considerar essa prerrogativa onde a Comunicação deve ser vista como um “fenômeno de consciência, fenômeno simultaneamente coletivo e individual” (2001, 32).

O segundo problema apontado por Martino, está ligado à evolução histórica do homem e da sociedade, as organizações humanas em coletividade, onde nesta jaz a identidade do homem, e este precisa “se inserir na coletividade” (2001, 32). Assim, dentro da coletividade das relações humanas, o papel da comunicação inserida nesse coletivo, seria uma questão de relevância e que se ergue como um campo de estudo. Nesses dois problemas, então, o papel da comunicação estaria nas estratégias racionais (conscientes; da consciência) do homem em se inserir na sociedade (na coletividade). Daí entende-se por que a Comunicação a princípio nasce como saber a partir dessas outras ciências humanísticas (Filosofia, Psicologia e Sociologia), pois o próprio objeto de estudo da comunicação, inserido na cultura de massa, passa por essas problemáticas da consciência e da coletividade, dois objetos de estudo que seriam, teoricamente, respectivamente, da Psicologia e Filosofia, e da Sociologia. Mas isso ainda não responde qual é de fato o objeto, ou os objetos, de estudo da Comunicação, entretanto, são as pistas cruciais que vão apontar então quais são, advindos da cultura de massa, como foi colocado.

A pista dada pela coletividade vai apontar para os objetos que devem estar dentro do foco epistemológico da Comunicação, como conta Martino:

“É somente uma tal forma de organização coletiva que pode criar para si uma instância chamada atualidade, a fim de exprimir o conjunto de uma realidade complexa, segmentada pela multiplicidade de agrupamentos (comunidades). É somente numa tal organização coletiva que os meios de comunicação passam a ter um papel relevante” (2001, 34).

Assim, chegamos ao que chamarei de “Diagrama de Martino”, onde temos explicitado quais são os objetos de estudo da Comunicação: a cultura de massa, os meios de comunicação e a atualidade.

Diagrama de Martino – o Objeto da Comunicação:

Cultura de massa 
e
Meios de Comunicação
= Atualidade

No diagrama de Martino, vemos que o objeto maior da comunicação é a atualidade, mas não qualquer atualidade, e sim aquela que advém da cultura de massa, ou seja, uma cultura atrelada à coletividade, à sociedade, esta por sua vez, tem e busca a sua coesão através dos meios de comunicação, estes seriam então, os verdadeiros objetos de estudo da Comunicação, como enfatiza Martino:

“Em suma, é a partir da análise da Sociedade, enquanto tipo de organização coletiva que podemos entender, de um lado, a necessidade de comunicação do indivíduo moderno em seu afã de engajamento coletivo; e, de outro lado, a presença notória e crescente que adquirem os meios de comunicação em nossa sociedade de massa, como parte importante do processo de instrumentalização da atividade individual face ao seu desafio de engajamento numa coletividade complexa” (2001, 34).

Vemos que a atualidade, ou seja, a coletividade complexa do mundo contemporâneo é a âncora maior do objeto de estudo comunicacional mas, deve se enfatizar: não é uma atualidade qualquer, e sim aquela que emana da fusão, ou combinação de elementos da cultura de massa e dos meios comunicacionais. Uma vez focado nesse objeto, a questão da interdisciplinaridade desaparece pois, como Martino escreve: “(...) o processo comunicativo é, e sempre será, um processo essencialmente psicológico, sociológico, político...” (2001, 35). Ou seja, tendo o seu objeto como foco, e este inserido num mundo complexo onde encontramos relações sociais, políticas e psicológicas entre milhares de outras e, dentro dessas relações os meios de comunicação, nada mais natural do que a Comunicação também buscar o entendimento de seu objeto inserido nessas outras relações, que incluem os seus saberes particulares, assim como esses outros saberes também, muitas vezes, necessitam entender o papel da Comunicação e seus meios dentro da política, sociologia, psicologia e assim por diante.

De volta à Contemporaneidade

A questão da atualidade que acabamos de mencionar, nos leva de volta a questão colocada no início deste texto, a Comunicação na Contemporaneidade, a área de concentração de pesquisa do mestrado da FCL[7]. Percebemos após essa explanação toda, que a Contemporaneidade, nada mais é do que a Atualidade a qual se refere Luiz Martino. Vemos então, que a área de concentração de estudo do mestrado da FCL está diretamente focada no objeto comunicacional apontado por Martino. Mas vimos que esse objeto é fruto das relações da cultura de massa com os meios de comunicação, e então onde estariam esses dois elementos dentro do âmbito da área de concentração de pesquisa da FCL? Para respondermos essa questão, voltamos ao texto do Professor Laan[8], onde encontramos a resposta: as linhas de pesquisa da Comunicação na Contemporaneidade.

A primeira linha de pesquisa “Processos midiáticos: tecnologia e mercado”, diz o seguinte: “Estudar a comunicação na contemporaneidade implica em reconhecer ‘os avanços tecnológicos e a dinamização do mercado que atravessam e delineiam os processos midiáticos como fatores mediadores determinantes na reconfiguração da comunicação’” (Junho 2006, 14-15). Vemos que essa linha de pesquisa faz menção direta ao estudo dos meios de comunicação, dando destaque principal para as novas tecnologias, incluindo as digitais e de rede, que estão mudando as relações mercadológicas dos próprios meios. Essa relação dos meios com a atualidade fica clara quando Laan coloca que “Na sociedade contemporânea, comunicação, tecnologia e mercado mantêm uma relação de mútua influência” (Junho 2006: 15). Neste sentido, a reconfiguração dos meios comunicacionais tem implicações diretas na sociedade, afinal não existe nada mais complexo que o estudo dos novos e complexos meios dentro da complexidade da atual sociedade contemporânea e as novas complexidades que desta relação advém, é uma linha de pesquisa que, sem dúvida, está presa ao que há de mais atual dentro dos estudos comunicacionais.

A segunda linha de pesquisa “Produtos midiáticos: jornalismo e entretenimento”, tem relação direta com a primeira, “Na verdade, as duas linhas se complementam, dialogam entre si (...)” (Junho 2006, 16), diz Laan, mas com um foco diferente: “Se a primeira linha de pesquisa trata do entorno do processo comunicacional, a segunda prioriza sua economia interna e foca a sua atenção no campo do jornalismo, cada vez mais absorvido pelas dinâmicas do entretenimento” (Junho 2006, 16). O foco aqui então, é o jornalismo absorvido pelo entretenimento, ou seja, é um foco específico ao jornalismo e sua inserção na atual sociedade, onde nesta, temos a grande indústria do entretenimento, elemento que cada vez mais passa pelo jornalismo, que seria então o foco dentro da cultura de massa, estudos da Sociedade do Espetáculo se destacam nesta linha como um estudo da cultura de massa atual.

De forma mais genérica, poderíamos dizer então que a relação entre a área de concentração de pesquisa do Mestrado da FCL junto com suas linhas de pesquisa e o diagrama de Martino se apresentaria da seguinte forma:

Objeto de pesquisa do Mestrado da FCL:

Produtos midiáticos: jornalismo e entretenimento
e
Processos midiáticos: tecnologia e mercado
= Contemporaneidade

Em ambas as linhas de pesquisa o objeto de estudo é ancorado pela Contemporaneidade, que seria a Atualidade no diagrama de Martino, as linhas de pesquisa de produtos midiáticos e processos midiáticos, corresponderiam no diagrama de Martino respectivamente, aos estudos ligados à cultura de massa e aos meios de comunicação. E conforme havia enfatizado Laan, as duas linhas se complementam, dialogam entre si e inserem-se na atualidade, na contemporaneidade.


Além do Diagrama de Martino, ao fazermos uma análise da famosa fórmula de Marshall McLuhan “o meio é a mensagem”, percebemos que essa tese defendida pelo famoso estudioso canadense relaciona-se diretamente tanto com os objeto de estudos comunicacionais apontados por Martino, quanto às linhas de pesquisa da FCL. O que fica claro através da citação abaixo de uma estudiosa da obra do autor:


“Partindo desta tese central , McLuhan vai desencadear uma dupla operação: 1) estudar a evolução dos meios comunicativos usados pelos homens ao longo da sua História e, 2) identificar as características específicas de cada um desses diferentes meios de comunicação. São estes dois vectores de investigação que estão na raíz das suas duas obras fundamentais, a saber: Understanding Media, de 1964, na qual procura determinar as propriedades diferenciadores de cada um dos meios de comunicação e The Gutenberg Galaxy de 1962 – a sua obra mais importante – na qual procede à análise da evolução mediática, a seu ver determinante das transformações da cultura humana” (POMBO: 1994, 41).


As operações mencionadas pela autora acima revelam que a tese de McLuhan se relaciona com dois estudos, que correspondem às duas obras mais famosas do autor, onde The Gutenberg Galaxy, refere-se ao estudo dos impactos da evolução dos media na sociedade e Understanding Media, ao estudo dos meios de comunicação. Seriam estudos que se relacionam respectivamente com as linhas de pesquisa de Produtos Midiáticos e Processos Midiáticos da FCL, ou o estudo da Cultura da Massa e estudo dos Meios de Comunicação correspondentes ao Diagrama de Martino. A atualidade e contemporaneidade que aparecem como o foco do estudo da comunicação para Martino e a FCL, seriam então, a própria Galáxia de Gutenberg, como coloca McLuhan, dentro do seu contexto atual, que incluem todos os media desde quando Gutenberg viabilizou a prensa gráfica na Europa do século XV, até os computadores, a Internet e os meios digitais atuais, meios que co-existem na atual sociedade contemporânea. Não é por mero acaso que as obras de Marshall McLuhan são uma unânime referência em diversos estudos comunicacionais.


Concluímos então, que o curso de Mestrado da FCL está muito bem focado em seu campo epistemológico, o campo do saber comunicacional e, por fim, isso revela a importância ainda maior de um seminário como o que foi realizado, “Comunicação: arte, saber ou ciência?”

Saber:

Arte
e
Ciência
= Saber

Considerações finais

Os estudos acima apresentados foram muito úteis para compreender o que é Epistemologia e como ela se aplica nas pesquisas do campo comunicacional, o que inclui a minha pesquisa. Pude compreender melhor o meu objeto de pesquisa e certificar-me que ele está dentro do contexto da atualidade, e que ele se vincula a linha de pesquisa de produtos midiáticos pois, embora englobe estudo dos meios (jornal impresso e webjornalismo), de forma mais ampla, insere-se no campo do jornalismo. E aqui vale confessar que, essa problemática da linha de pesquisa foi questão de muitas dúvidas deste que vos escreve, de modo que as reflexões descritas neste relatório foram de imensa valia para compreender melhor a minha pesquisa e o meu papel de pesquisador dentro da coordenadoria e do grupo de pesquisa à qual estou inserido.

Além do que expus aqui, vale relatar que os demais textos inclusos na bibliografia desde relatório, o encontro com Luiz Martino[9] e o seminário em questão foram importantes vetores para entendermos diversos outros aspectos que tangem a questão da Epistemologia da Comunicação, tais como as teorias da comunicação e sua miscelânica evolução, a questão das posições tecnicista e intelectualista no ensino de jornalismo, a relação dos estudos de René Descartes com a epistemologia mencionada diversas vezes durante a jornada de exposições e debates com Luiz Martino, e outros assuntos mais. Assuntos que demandariam muito mais páginas e páginas de explanação e reflexão. Quem sabe uma próxima vez?

São Paulo, 13 de Setembro de 2007.

Bibliografia & Referências [10]

BARROS, Laan Mendes. “Comunicação na Contemporaneidade: perspectivas de um curso de mestrado” in “Líbero, revista do programa de pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero”, nº 17 (p. 9-20). São Paulo: Biblioteca Prof. José Geraldo, junho de 2006.
DESCARTES, René. “Discurso do método”. Floresta-RS: L&M Pocket, 2005.
MARTINO, Luiz C. “As epistemologias contemporâneas e o lugar da Comunicação” in “Epistemologia da Comunicação” (p. 69-101). Ed. Comunicação Contemporânea: s/d.
MARTINO, Luiz C. “De qual comunicação estamos falando?” (p.11-25) e “Interdisciplinaridade e objeto de estudo da Comunicação” (p.27-36) in “Teorias da Comunicação: conceitos, escolas e tendências”. Petrópolis-RJ: Vozes, 2001.
MARTINO, Luiz C. “Sob o Signo da Babel: as teorias da comunicação” in http://www.unb.br, 02/08/2002.
MARTINO, Luiz C. “Abordagens e representação do campo comunicacional” in “Comunicação, Mídia e Consumo”, Vol. 3, nº 8 (p.33-54). São Paulo: ESPM, 2006.
MARTINO, Luiz C. “Os cursos de teoria à luz do Jornalismo” in “Líbero, revista do programa de pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero”, nº 17 (p. 21-29). São Paulo: Biblioteca Prof. José Geraldo, junho de 2006.
MARTINO, Luiz C. “Abordagens e representações do campo comunicacional” e “As epistemologias contemporâneas e o lugar da Comunicação” in “Seminário de Comunicação, Recepção e Identidade: Comunicação, saber, arte ou ciência?” São Paulo: Faculdade Cásper Líbero, 27 e 28/09/2007.

Notas

[1] Mestrando da Faculdade Cásper Líbero.
[2] Disciplina do curso de Mestrado da Faculdade Cásper Líbero ministrada pelo Prof. Dr. Laan Mendes de Barros - Coordenador da Pós-Graduação.
[3] Seminário do Grupo de Pesquisa “Comunicação, Recepção e Identidade” da Faculdade Cásper Líbero intitulado “Comunicação: Saber, Arte ou Ciência”, com o convidado especial Prof. Dr. Luiz Martino, estudioso epistemólogo da Comunicação da Universidade de Brasília, ocorrido nos dias 27 e 28 de Agosto de 2007.
[4] MICHAELIS. Moderno Dicionário Inglês-Português, Português-Inglês. São Paulo: Melhoramentos, s/d.
[5] Ver MARTINO: 2001, (p.11-25).
[6] Ver MARTINO: 2001, (p.27-36).
[7] Ver página 3.
[8] Ver BARROS: junho de 2006, (p. 9-20).
[9] Reunião do grupo de pesquisa da FCL, “Comunicação, Recepção e Identidade”, onde o Prof. Luiz Martino foi o convidado especial, contou a sua trajetória de vida como pesquisador e debateu o tema de seu artigo sobre as questões da posição tecnicista e intelectualista no ensino de Jornalismo (ver MARTINO: junho de 2006, 21-29), ocorrido em 25/09/2007.
[10] Em ordem alfabética (sobrenome do autor) e cronológica.

Personal tools